Foto: Jaime Zanatta/GBC

Da redação | Foi realizado no inicio da tarde desta quarta-feira (18) o ato “Unidos pela Vida” no Hospital Universitário (HU) de Canoas. Junto com a prefeitura, os funcionários da saúde se reuniram contra a falta de repasses do Governo do Estado.

A secretária da saúde, Rosa Groenwald, esteve presente no ato. Ela salientou os problemas que a cidade está enfrentando para manter a saúde em dia mesmo com a falta dos repasses. “Nos reunimos com outras cidades do Rio Grande do Sul para evitar o colapso na saúde. Não é um caso isolado aqui do município, a restrição nos atendimentos já está acontecendo nos nossos vizinhos como em Novo Hamburgo e Sapucaia do Sul e as pessoas não estão entendendo a gravidade disso”.

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Os funcionários se reuniram no saguão do HU (Foto: Jaime Zanatta/GBC)

Até o final de novembro, segundo a Prefeitura, a dívida do Estado vai chegar a R$ 37 milhões.

Restrições

Desde o dia 19 de novembro, os procedimentos eletivos foram suspensos pela Prefeitura de Canoas nos hospitais Nossa Senhora das Graças, de Pronto Socorro e Universitário. Os locais deixaram de oferecer mais de cem tipos de procedimentos entre consultas, exames e serviços de ambulatório. Emergência e urgência seguem com atendimento normal.

ATENÇÃO, CANOAS! | A partir de segunda só emergência e urgência no Gracinha, HPS e Universitário

Se não acontecer repasse, a secretária disse que não sabe como vão ficar os atendimentos emergenciais na cidade. “Isso é um alto custo, ainda mais para Canoas que é referência para os outros municípios. Esperamos que os secretários da saúde, da fazenda e o próprio governador olhem para cá e vejam tudo isso que está acontecendo e o prejuízo que a população está tendo”, ressaltou.

Atendimento para outros municípios

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o Hospital Universitário é referência para 156 cidades. Esse número significa que 44% da população do Rio Grande do Sul vem até Canoas para buscar atendimento. De acordo com a titular da pasta, o Estado já foi notificado diversas vezes para rever esse índice. “Queremos uma reorganização das pactuações, que é um estudo entre as capacidades de cada município. Cidades atendem 10% dos pacientes de outros municípios e recebem a mesma coisa que nós. Essa mudança precisa acontecer não só pelo dinheiro, mas pela eficiência de gestão”, comentou.

Conforme Rosa, em 2015 o HU perdeu 100 leitos. “Nós aumentamos nosso número de atendimentos e diminuí a nossa capacidade. Isso é muito grave”, afirmou.

Bloqueio das contas

Desde 2017, a Prefeitura de Canoas vem pedindo o bloqueio das contas do Estado. Porém, a justiça negou o pedido. “Nós entramos com um termo de agravo por causa do nosso colapso interno. Toda nossa estrutura precisa de insumos. O atendimento não parou e o mérito disso é para os nossos funcionários. Mas até quando conseguiremos manter? O repasse precisa ser feito”, finalizou Rosa.

Greve

Os funcionários do HU devem se reunir em assembléia nos próximos dias. Com os salários atrasados, eles devem decidir se entrarão em greve ou não.