Foto: MP-RS/Divulgação

Da redação | A saúde de Canoas virou caso de polícia. Em meio a uma greve de profissionais por causa de atraso nos salários, o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (GAMP) é alvo do Ministério Público (MP) na manhã desta quinta-feira (6). A empresa administra os hospitais Universitário (HU), de Pronto Socorro (HPSC), duas unidades de pronto atendimento e quatro de atendimento psicossocial.

Quatro pessoas ligadas a entidade foram presas. Os nomes dos presos ainda não foram divulgados. De acordo com o promotor João Beltrame, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Saúde), do MP, os envolvidos são suspeitos de crimes relacionados a gestão de recursos do contrato com o município.

Conforme o MP, foram detectados, entre as irregularidades, superfaturamento de medicamentos em até 17.000%, utilização de laranjas e testas de ferro do chefe do esquema na direção do Gamp, a cooptação de agentes públicos, desvio de dinheiro da saúde pública para os envolvidos na fraude, além do pagamento de viagens de férias pagas com dinheiro público da saúde de Canoas.

A investigação apontou a ocorrência de desvios de recursos da prefeitura que seriam destinados à saúde pública para contas bancárias de pessoas ligadas ao Gamp. De acordo com o MP, o Executivo municipal transferiu R$ 426 milhões para o Gamp. Deste valor, o MP suspeita que, pelo menos R$ 40 milhões foram desviados para contas pessoais de integrantes do esquema.

Para o Ministério Público, o Gamp, “travestido de entidade assistencial sem fins lucrativos, se trata de uma típica organização criminosa voltada para a prática de inúmeros delitos, em especial peculato e lavagem de dinheiro, entre outras fraudes que esvaziam os cofres públicos”.

Além dos mandados de prisão, também estão sendo cumpridos 70 mandados de busca e apreensão em cinco Estados.  O Gamp e outras 15 empresas tiveram decretada a suspensão de contratação com o poder público.