Foto: Divulgação/ Simers

Foto: Divulgação/ Simers/ Ilustrativa

Da redação | O quarto suspeito com prisão preventiva decretada pela Justiça se apresentou nesta sexta-feira (7) ao Ministério Público, em decorrência de operação desencadeada na quinta (6) pelo MP, que investiga fraude milionária no contrato da Saúde de Canoas entre a prefeitura e o Grupo Gamp.

Diego Bastos, que já atuou como superintendente regional da empresa, foi conduzido à Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), onde está preso também Cássio Souto Santos, médico que participou da fundação do grupo e é considerado principal nome da entidade.

Já Michele Aparecida da Câmara Rosin, também presa durante a operação do MP, atual presidente do Gamp, está na Penitenciária Feminina de Guaíba.

O ex-secretário da Saúde de Canoas, Marcelo Bósio, que atuou na gestão de Jairo Jorge, quando o contrato foi firmado, está preso em São Paulo.

O Ministério Público ajuizou na quinta-feira uma ação civil pública para que o Gamp seja afastado das suas atividades em Canoas. No documento, o órgão ainda pede para que a prefeitura reassuma o processo. São cerca de 3 mil pessoas que prestam serviço à empresa. O período de intervenção seria de 90 a 120 dias, até que uma nova licitação seja feita.

Enquanto a Justiça não aprecia o pedido de liminar do MP, o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) segue fazendo a gestão dos hospitais Universitário (HU), de Pronto Socorro de Canoas (HPSC), de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de e quatro Centros de Atendimento Psicossocial.

A prefeitura de Canoas pretende lançar nos próximos dias a licitação para que uma nova empresa assuma ainda em dezembro. O Executivo está organizando uma equipe de funcionários para que assuma a transição da direção das atividades caso a resposta à liminar seja positiva. O Executivo disse que o objetivo durante a transição é encontrar um método de fazer o pagamento de salários diretamente aos servidores, sem passar pelo Gamp.

Motivo da Operação
Conforme o MP foram detectadas diversas irregularidades no contrato assinado em 2016 pela prefeitura com o grupo. Entre elas, o superfaturamento de medicamentos em até 17.000%, a utilização de laranjas e testas de ferro do chefe do esquema na direção do Gamp, além do pagamento de viagens de férias com dinheiro público da saúde de Canoas.

A operação do MP revelou que a empresa desviou ao menos R$ 40 milhões dos R$ 426 milhões pagos pela prefeitura desde 2016 para a terceirização dos serviços de saúde da cidade.

Para o Ministério Público, o Gamp, “travestido de entidade assistencial sem fins lucrativos, se trata de uma típica organização criminosa voltada para a prática de inúmeros delitos, em especial peculato e lavagem de dinheiro, entre outras fraudes que esvaziam os cofres públicos”.