Jaime

Foto:  Jaime Zanatta/GBC

Da redação | O Ministério Público Estadual (MPE) vai abrir um inquérito civil para investigar a contaminação por cromo VI no solo e no lençol freático no bairro Niterói, em Canoas. A investigação será chefiada pelo promotor Felipe Teixeira Neto.

Na última segunda-feira (10), o promotor já se reuniu com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O objetivo é identificar a extensão da poluição e o dano causado. Para isso, o MPE também pedirá auxilio à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Até que fiquem prontos os estudos que mostrarão a extensão e há quanto tempo ocorre a contaminação, o processo é orientado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) de Canoas. Na semana passada, a prefeitura emitiu uma nota de alerta, afirmando que “o lençol freático e o solo de parte da comunidade estão severamente contaminados”. Quando em alta concentração na água, o cromo VI é cancerígeno.

A gravidade vai depender da quantidade e do tipo de contaminante que atingiu o solo e o lençol freático, assim como sua extensão e profundidade. A empresa suspeita de contaminação, não revelada pela prefeitura, pagará todos os custos dos estudos que identificarão o problema e, após, os trabalhos futuros que irão remediar a área poluída.

A partir da identificação do dimensão da poluição, a supervisão ficará a cargo da Fepam, que será o órgão fiscalizador da descontaminação da área.

Duas empresas trabalham na área

As duas empresas de cromagem localizadas na área em que houve contaminação com cromo no bairro Niterói negam responsabilidade pela poluição. Elas afirmam não ter relação com o fato e seguem em funcionamento.

Uma delas, admite que está fazendo estudos ambientais a pedido da prefeitura de Canoas e que atenderá aos pedidos da Secretaria do Meio Ambiente. Em nota, nega que esteja em funcionamento fora das normas que regulam o setor e avisa que está devidamente licenciada junto aos órgãos públicos.

Já a segunda empresa afirmou que não recebeu notificação alguma da prefeitura e que executa a cromagem em piso superior, em um tanque de contenção, resguardando a possibilidade de um acidente por não haver contato com o solo.

Orientações para a população

É importante que fique claro que a contaminação atinge apenas a água subterrânea, ou seja, a água de poços artesianos. A água encanada, da Corsan, não apresenta contaminação e está apta para consumo. O metal também não contamina pelo contato com o ar, tendo que haver a ingestão ou contato cumulativo para causar danos severos à saúde.

Por esse motivo, a Prefeitura de Canoas faz as seguintes orientações para os moradores da área delimitada para precaução, da BR-116 até a rua Fernando Ferrari, nas ruas Júlio de Castilhos, Garibaldi, Minas Gerais e Alegrete: Não utilizar água subterrânea no local, como de poços artesianos; utilizar somente água do sistema de distribuição da Corsan para consumo, que está apta; não cultivar vegetais e árvores frutíferas na área; não executar qualquer tipo de obra ou escavação na área sem autorização do órgão ambiental; não permitir que animais consumam a vegetação localizada nessa área.