O jornalista e engenheiro Claudio Carsughi morreu nesta quinta-feira (10), aos 93 anos, encerrando uma trajetória de mais de sete décadas no jornalismo brasileiro. Considerado uma referência especialmente no futebol e no automobilismo, ele ficou conhecido pelo rigor das análises, pela independência e pelo vasto conhecimento técnico.
Carsughi estava internado havia 27 dias e morreu em decorrência de uma infecção respiratória, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira. A notícia foi anunciada por sua filha, a jornalista Claudia Carsughi.
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Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, ele chegou ao Brasil ainda adolescente, em 1946, e construiu praticamente toda a sua vida profissional no país. Em 2025, quando completou 93 anos, foi homenageado pela Assembleia Legislativa de São Paulo.
Quem foi Claudio Carsughi?

Além de jornalista, Carsughi era engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP.
A paixão pelo jornalismo surgiu ainda muito cedo. Antes mesmo de chegar à idade adulta, ele já escrevia para veículos italianos, iniciando uma carreira que posteriormente o levaria a algumas das principais redações e emissoras do Brasil.
Sua trajetória passou por diferentes áreas, mas duas se tornaram especialmente marcantes: futebol e automobilismo.
Como foi a carreira de Carsughi no jornalismo?
Carsughi trabalhou durante décadas em veículos impressos, rádio, televisão e, posteriormente, no ambiente digital.
Na imprensa especializada, teve uma longa passagem pela revista Quatro Rodas, além de ter trabalhado em publicações como Oficina Mecânica e Auto&Técnica.
Também teve contato direto com algumas das principais transformações da indústria automobilística brasileira.
Entre suas experiências mais lembradas está o fato de ter sido o primeiro jornalista a testar o Volkswagen Gol, um dos modelos mais importantes da história da indústria automotiva nacional.
Carsughi cobriu quantas Copas do Mundo?
Uma das marcas mais impressionantes de sua carreira foi a cobertura de cinco Copas do Mundo consecutivas pela Jovem Pan.
Ele esteve nos Mundiais de:
- 1970, no México;
- 1974, na Alemanha Ocidental;
- 1978, na Argentina;
- 1982, na Espanha;
- 1986, no México.
A participação em cinco edições seguidas transformou seu nome em uma referência dentro da cobertura esportiva brasileira. Registros da Assembleia Legislativa de São Paulo confirmam a sequência de Mundiais acompanhada por ele entre 1970 e 1986.
Qual foi a relação de Claudio Carsughi com a Jovem Pan?
A Jovem Pan foi um dos principais capítulos da carreira de Carsughi.
Ele trabalhou na emissora de 1957 até 2015, com uma longa atuação como comentarista e especialista em futebol e automobilismo.
Foi justamente pela rádio que ganhou enorme projeção nacional, principalmente por suas análises técnicas e pela cobertura das Copas do Mundo.
Sua passagem pela emissora marcou várias gerações de ouvintes.
Por que Carsughi era considerado diferente?
O diferencial estava justamente na combinação entre jornalismo e conhecimento técnico.
No futebol, ele se destacou pelo uso de números e estatísticas durante as transmissões, algo que não era tão comum quando começou a carreira.
No automobilismo, suas análises frequentemente iam além do resultado final.
Ele discutia motores, comportamento dos carros, estratégia das equipes e questões mecânicas que ajudavam o público a compreender melhor o que acontecia na pista.
Carsughi também trabalhou com Fórmula 1?
Sim.
O jornalista se tornou uma das vozes mais conhecidas do automobilismo brasileiro, principalmente por sua capacidade de explicar questões técnicas da Fórmula 1 de maneira acessível.
Durante as transmissões, era comum que suas observações ultrapassassem a simples descrição do resultado.
Ele analisava desempenho mecânico, estratégia, comportamento dos carros e escolhas das equipes.
Foi uma das características que ajudaram a consolidar sua reputação entre os amantes do automobilismo.
Qual foi o papel de Carsughi no jornalismo automotivo?
Sua contribuição ao jornalismo automotivo também foi extensa.
Ainda nos anos 1950, ele acompanhou o desenvolvimento da indústria automobilística brasileira e realizou avaliações de veículos quando o setor nacional ainda estava em processo de consolidação.
Na Quatro Rodas, participou de testes e reportagens que ajudaram a construir a tradição do jornalismo especializado em automóveis no país.
Em 2025, aos 93 anos, ainda estava à frente do Portal Carsughi, mantendo sua atuação na área automotiva.
Carsughi foi o primeiro jornalista a testar o Volkswagen Gol?
Sim.
Esse é um dos episódios mais conhecidos de sua carreira no jornalismo automobilístico.
Carsughi esteve entre os primeiros profissionais a conhecer e testar o Volkswagen Gol, modelo que posteriormente se transformaria em um dos carros mais populares do Brasil.
A experiência é lembrada como parte do pioneirismo do jornalista na cobertura da indústria nacional.
Ele também trabalhou em televisão?
Sim.
Depois de décadas no rádio e na imprensa escrita, Carsughi ampliou sua atuação para a televisão.
Passou por veículos como ESPN Brasil e SporTV, levando para esses espaços a mesma característica que marcou suas análises no rádio: uma abordagem técnica acompanhada de experiência acumulada durante décadas.
Posteriormente, também passou a produzir conteúdo para a internet.
Qual foi a relação dele com Ayrton Senna?
Outro episódio marcante ocorreu em maio de 1994, após o acidente de Ayrton Senna no Grande Prêmio de San Marino.
Segundo relatos sobre sua carreira, Carsughi acompanhava transmissões da rádio italiana em ondas curtas e foi o primeiro jornalista no Brasil a noticiar a morte cerebral do piloto.
O episódio entrou para a história de sua trajetória profissional e reforçou a reputação de Carsughi como um jornalista atento às informações técnicas e internacionais do automobilismo.
Quando começou a carreira jornalística?
A relação de Carsughi com o jornalismo começou muito antes de sua consolidação profissional no Brasil.
Ainda adolescente, aos 13 anos, ele já escrevia para publicações italianas.
Depois da mudança para o Brasil, sua carreira foi se expandindo até alcançar jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.
A longevidade profissional foi justamente uma das características mais impressionantes de sua trajetória.
Por que Claudio Carsughi era chamado de “Mestre”?
O apelido refletia o respeito conquistado ao longo de décadas.
Colegas e profissionais do esporte passaram a tratá-lo como “Mestre Carsughi”, em referência ao conhecimento acumulado e à capacidade de analisar diferentes assuntos com profundidade.
A homenagem também apareceu em registros oficiais relacionados à sua trajetória.
Esse reconhecimento ajudou a transformar seu nome em uma referência que ultrapassou os veículos pelos quais passou.
Como a família anunciou a morte?
A morte foi acompanhada por uma homenagem publicada por sua filha, a jornalista Claudia Carsughi.
Ela destacou aspectos pessoais e profissionais do pai, ressaltando características como ética, objetividade e retidão de caráter.
A família também manteve durante anos o trabalho ligado ao Portal Carsughi, espaço em que Claudio continuou produzindo conteúdo sobre automobilismo e outros assuntos mesmo depois de deixar grandes veículos de comunicação.
Como foi a vida de Carsughi no Brasil?
Carsughi chegou ao Brasil em março de 1946, quando tinha 13 anos.
Aqui, estudou e se formou em engenharia, mas acabou construindo sua vida profissional principalmente no jornalismo.
A Assembleia Legislativa de São Paulo registrou que ele chegou ao país em 1946 e permaneceu ligado ao Brasil durante praticamente toda a vida.
Sua história acabou se tornando também uma trajetória de integração entre suas origens italianas e a cultura esportiva brasileira.
Ele continuava trabalhando aos 93 anos?
Sim.
Mesmo depois de deixar grandes emissoras, Carsughi continuou produzindo conteúdo.
Em novembro de 2025, aos 93 anos, ele participou da 11ª edição do Prêmio Carsughi L’Auto Preferita, evento ligado ao jornalismo e à indústria automobilística.
Na ocasião, ele ainda era apresentado como uma presença ativa e bem-humorada no meio automobilístico.
O que marcou a personalidade profissional de Carsughi?
A combinação entre conhecimento técnico, objetividade e personalidade própria.
Ao longo da carreira, ele se tornou conhecido por não se limitar ao comentário superficial.
No futebol, utilizava informações estatísticas. No automobilismo, aprofundava questões mecânicas e estratégicas. Na cobertura automotiva, testava veículos e acompanhava o desenvolvimento da indústria.
Esse perfil ajudou a estabelecer um estilo próprio.
Quanto tempo Claudio Carsughi ficou na Jovem Pan?
Foram décadas de trabalho.
O registro biográfico do Terceiro Tempo indica que ele esteve na Rádio Jovem Pan de 1957 a 13 de abril de 2015, quando deixou a emissora.
Nesse intervalo, construiu uma relação especialmente forte com o departamento esportivo da rádio.
Foi nesse ambiente que participou de algumas das coberturas mais importantes de sua carreira.
Quais outros veículos tiveram Carsughi?
A carreira dele ultrapassou a Jovem Pan.
Carsughi passou por veículos como Rádio Bandeirantes, Rádio Record, Gazeta Esportiva, Quatro Rodas, Placar, Jornal da Tarde, ESPN Brasil e SporTV, entre outros.
Também manteve atuação própria no Portal Carsughi.
Essa passagem por diferentes plataformas ajuda a explicar por que sua trajetória atravessou diferentes gerações da comunicação brasileira.
Como foi a homenagem recebida em 2025?
Em 13 de outubro de 2025, quando completou 93 anos, Carsughi foi homenageado em uma cerimônia realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo.
A homenagem reconheceu sua trajetória como jornalista e sua contribuição para o jornalismo esportivo e automotivo brasileiro.
Naquele momento, ele ainda seguia ligado ao jornalismo por meio do portal da família.
Qual é o legado de Carsughi?
O legado de Claudio Carsughi está ligado a uma forma de jornalismo que combinava informação, experiência e conhecimento técnico.
No futebol, ajudou a popularizar análises baseadas em estatísticas.
No automobilismo, aproximou o público de assuntos como mecânica, motores e estratégia.
Na cobertura de carros, acompanhou praticamente toda a evolução da indústria automobilística brasileira desde seus primeiros anos.
Sua carreira também atravessou diferentes transformações tecnológicas: da imprensa escrita ao rádio, da televisão à internet.
Jornalismo brasileiro perde um nome de sete décadas
A morte de Claudio Carsughi, aos 93 anos, encerra uma trajetória que atravessou mais de sete décadas e diferentes gerações do jornalismo brasileiro.
Ele foi comentarista de futebol, especialista em automobilismo, jornalista automotivo e engenheiro. Cobriu cinco Copas do Mundo consecutivas pela Jovem Pan e construiu uma relação histórica com a Fórmula 1 e a indústria automobilística.
Também deixou marcas em revistas, rádios, televisão e no ambiente digital.
Mas talvez a característica mais lembrada por quem acompanhou sua carreira seja justamente a maneira particular de explicar o esporte: com dados, conhecimento técnico e uma independência que se tornou sua assinatura.
A homenagem publicada por sua filha após a morte reforça esse aspecto pessoal da trajetória.
Depois de mais de 70 anos de profissão, Claudio Carsughi deixa um legado que atravessa o futebol, o automobilismo e o jornalismo brasileiro.

