Foto: Ministério Público/ Divulgação

Da redação | Uma operação deflagrada nesta segunda-feira resultou na prisão de 12 pessoas em flagrante no Vale do Sinos, depois de uma investigação que apurou maus tratos e abusos na Comunidade Terapêutica Ferrabraz, em Sapiranga.

O Ministério Público de Sapiranga pediu a interdição e o encerramento das atividades em todas as unidades da Associação, instituição de tratamento para dependência em drogas e álcool.

A operação realizada nesta segunda-feira pelo Ministério Público contou com apoio da Polícia Civil, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e profissionais da Saúde. Foram encontradas inúmeras irregularidades nas três casas ocupadas pela Associação, como falta de atendimento médico e psicológico, péssimas condições de higiene, medicamentos vencidos e sem receitas.

Ao todo, 12 pessoas foram presas, incluindo o coordenador terapêutico, Darlon Carvalho Rodrigues, e sua mãe, Nelci Carvalho Rodrigues, atual presidente da entidade, e mais nove monitores. Outra pessoa, responsável por ceder veículo para a retirada de um interno em uma das unidades da Associação Terapêutica Ferrabraz no momento da abordagem da ação também foi presa.

Os mais de 50 pacientes que estavam internados nos locais ainda relataram que vivem sob cárcere privado; sofrem torturas como surras e choques; que são impedidos de contar aos familiares sobre a situação a que são submetidos, sob ameaças dos proprietários; que são obrigados a repassar seus cartões e senhas para retiradas de benefícios; alguns foram obrigados a fazer empréstimos e, por fim, há denúncia de que eram coagidos a cometerem roubos e furtos a mando de Darlon Carvalho Rodrigues.

Dois dos pacientes foram recolhidos para atendimento médico pela equipe de saúde do município: um com problemas psiquiátricos e outro acamado, desnutrido e com escaras.

O Município de Sapiranga está providenciando abrigo para os demais pacientes em outros estabelecimentos de recuperação de drogados existentes no município.

Por fim, há a denúncia de que funcionários da Ferrabraz compõem um grupo de “resgate e remoção”, que, de modo violento, busca pacientes fugitivos ou a pedido da família dos dependentes químicos.

A operação foi realizada em conjunto pela Promotoria Criminal e Especializada de Sapiranga e desencadeada após o ajuizamento de ação civil de execução de Termo de Ajustamento não cumprido, em cujo processo não estava demonstrando que a entidade operava de acordo com as determinações legais, além dos indícios de várias irregularidades.