FOTO: Eduardo Baratto Leonardi/Prefeitura de Esteio

Da redação* | Com cadernos e canetas às mãos, seis venezuelanos moradores dos abrigos 1 e 2 de Esteio aguardavam, ansiosos, na entrada do Centro Municipal de Educação Básica (CMEB) Oswaldo Aranha, na última terça-feira (16), pelo seu primeiro dia de aula na turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da escola. Além da curiosidade por saber quem seriam o professor e os colegas, havia também a expectativa de poder retomar um aprendizado que foi interrompido pela necessidade de deixar seu país de origem em virtude da grave crise que ele enfrenta.

“Esta chance de estar em sala de aula, além da oportunidade de estar inserido na comunidade, é importante para obter conhecimentos e iniciar o resgate da autoestima, iniciar a retomada de uma vida. Posso garantir que será uma experiência incrível para a escola, assim como está sendo para todos os que estão próximos aos venezuelanos que residem em nossa cidade”, comentou a secretária municipal de Cidadania, Trabalho e Empreendedorismo (SMCTE), Tatiana Tanara, no acolhimento aos jovens.

Eles foram recebidos na biblioteca do Oswaldo pela diretora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (SME), Rose Cutruneo, pelo vice-diretor da escola, Milton Martins Silveira Júnior, pela supervisora Lilian Versino Rocha, e pelo professor de História Paulo Leandro Menezes de Souza. “A partir de hoje, vocês fazem parte da família do Oswaldo Aranha. Nessa integração entre Brasil e Venezuela, vamos fazer o melhor para que vocês possam aprender conosco e tenho certeza que também vamos aprender muito com vocês”, comentou Milton.

Mesmo que boa parte dos alunos venezuelanos inscritos no EJA do Oswaldo já tenha o Ensino Médio completo, eles foram inscritos na turma Totalidade 5, um equivalente aos anos finais do Ensino Fundamental. Como falta pouco tempo para o encerramento do ano letivo, este período será utilizado como fase de adaptação e de sondagem, para verificar o nível de conhecimento dos alunos.

Ainda na biblioteca, Paulo, que será o professor da turma, usou um globo terrestre para apontar ao grupo onde fica a Venezuela e onde está o Brasil. “Independente dessas linhas geográficas, o importante é que estamos todos temos o mesmo coração. Vocês passaram por um período de muitas dificuldades, mas vamos deixá-lo para trás e dar início a uma nova fase”, comentou. Em seguida, ele seguiu com os alunos para a sala onde eles terão suas aulas.

Os primeiros venezuelanos chegaram a Esteio no início de setembro, como parte do processo de interiorização coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Outros dois grupos foram encaminhados para o Município, totalizando 221 pessoas que estão residindo em abrigos, cujos alugueis são pagos pela Organização das Nações Unidas (ONU), localizados na Vila Osório e no Parque Tamandaré. Para acolher os imigrantes, Esteio vai receber R$ 530,4 mil, recursos que serão investidos em ações para dar melhor acolhida aos refugiados, nas áreas de assistência social, saúde e educação, principalmente, ao longo de seis meses. No final de setembro, um grupo de crianças venezuelanas iniciou sua vida escolar na cidade, em turmas do 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental do CMEB Vitorina Fabre e de séries iniciais do CMEB João XXIII.

Para organizar o atendimento, o prefeito Leonardo Pascoal emitiu uma portaria no dia 3 de setembro, criando o Comitê Articulador do Processo de Interiorização de Refugiados Venezuelanos em Esteio. Ele será o coordenador, tendo a titular da SMCTE como subcoordenadora, enquanto o diretor de Cidadania e Desenvolvimento Social da SMCTE, Cristiano Coutinho, e a coordenadora de Direitos Humanos, Maria Izabel Teixeira, serão os coordenadores dos dois abrigos que receberam os venezuelanos. Além disso, a Associação Antônio Vieira (Asav), responsável pela gestão de recursos que provém do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), vai repassar R$ 170 para cada venezuelano. O valor será disponibilizado por um período de três meses para auxílio de custo mensal, com o objetivo de buscar trabalho e comprar medicamentos, se necessário.

*Com informações da Prefeitura de Esteio