Foto: Brigada Militar/Divulgação

De festa no meio do rio até bar lotado. A Brigada Militar (BM) trabalhou com rigor nos últimos quatro meses para frear as perigosas concentrações de pessoas em Canoas. Servindo de referência para as ações preventivas da corporação, os decretos publicados pelos governos municipal e estadual proíbem qualquer aglomeração, como forma de evitar o contágio pelo coronavírus, que já matou 31 moradores e infectou mais de 860 na cidade.

A cada dia, em torno de 30 novas contaminações são confirmadas pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Mesmo com a estatística desfavorável, provocada pelo avanço da Covid-19, que tem testado os sistema público de saúde, uma parcela da população ainda não entendeu a importância de ficar em casa.

Em entrevista ao vivo para Agência GBC, o comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar (15º BPM), tenente-coronel Jorge Dirceu Filho, detalhou o trabalho executado pela BM durante a pandemia. Antes do isolamento, quando não se tinha a publicação das normativas, o 15º BPM recebia, em média, de 200 a 250 denúncias entre sexta e domingo sobre perturbação do sossego.

Com a adesão da quarentena, após o início de março, a média disparou para 500 a 550 chamados. Subiu para uma média entre 550 e 600, com a vigência da bandeira vermelha do sistema de distanciamento controlado do Estado. “É muito chamado de pessoas reclamando das aglomerações. Por vezes, tentamos resolver por telefone”, diz o comandante. Porém, em diversos casos, foi necessária a presença da força policial.

“Infelizmente, a gente se depara com festas ‘clandestinas’ em alguns locais até com problemas de PPCI [Plano de Prevenção Contra Incêndios] e alvará”, completa Jorge Dirceu Filho. Ele citou, por exemplo, um caso que foi notícia em Agência GBC. Na madrugada de 30 de maio, um sábado, a BM fechou um bar com mais de 70 pessoas no bairro Olaria. No local, havia consumo de bebidas alcoólicas e, inclusive, presença de menores de idade.

Na madrugada seguinte, um baile funk com mais de 30 pessoas foi encerrado na Prainha do Paquetá. Os PMs ficaram sabendo do funcionamento do espaço por conta de uma denúncia anônima. O local do evento não tinha licença e nem alvará para funcionamento. Até o Rio dos Sinos foi palco de aglomerações, quando um barco, que saiu do Paquetá, foi utilizado para uma festa no meio do Rio dos Sinos.

“Não é o momento de fazer festas, é de se preservar agora para fazer festa no futuro. Antes [da pandemia] o problema era só o barulho, agora estão colocando em risco a própria vida, devido ao risco de contaminação pelo vírus”, avalia. O comandante conclui que o aumento nas chamadas tem causado preocupação. “Não conseguimos checar 600 chamadas só de perturbação no fim de semana, porque além dessas situações há ocorrências criminais para também serem atendidas”, explica.