Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

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A Assembleia Legislativa instalou na última terça-feira (9) a Frente Parlamentar em Defesa do Movimento ERS-118 sem pedágio. A iniciativa é do deputado Tiago Simon (MDB).

Ressaltando que não é contra a concessão de rodovias, Simon elencou os malefícios que a instalação de uma praça de pedágio na ERS-118 traria não só para seis municípios cortados pela rodovia – Sapucaia do Sul, Esteio, Cachoeirinha, Viamão, Alvorada e Gravataí -, mas para a população de toda a Região Metropolitana. O aumento de preços de produtos e serviços, a fuga de empresas, o desemprego e a exclusão foram algumas das consequências listadas pelo parlamentar para justificar a instalação da frente no Parlamento gaúcho. “As concessões são instrumentos para alavancar o desenvolvimento. Mas uma praça de pedágio em perímetro urbano, com alto fluxo doméstico e em uma região de alta vulnerabilidade teria um efeito muito negativo. Uma praça de pedágio na ERS-118 seria a hipótese mais desastrosa de pedagiamento da história do Rio Grande do Sul”, acredita.

Segundo o proponente da frente, o projeto previsto para a rodovia, que tem 16 quilômetros duplicados, seria a de uma concessão por 30 anos, investimentos na ordem de R$ 100 milhões e arrecadação de R$ 4 bilhões no período.

O coordenador do Movimento ERS-118 sem Pedágio, Darcy Zottis, explicou que a iniciativa tem caráter apartidário e os propósitos de evitar a instalação de uma praça de pedágio e trabalhar pela infraestrutura da estrada. Ele alertou que a concessão da rodovia poderia gerar mais problemas sociais para municípios como Alvorada e Viamão, de onde saem cerca de 140 mil moradores para trabalhar em cidades vizinhas. “A elevação dos custos de deslocamento para o empregador teria como conseqüência imediata o desemprego”, apontou.

Representando a Federasul, Rafael Goelzer disse que a entidade é “100% a favor dos pedágios, mas quer que as concessões sejam bem feitas”.  “Pelas características dessa rodovia, que tem um fluxo pendular de pessoas que saem pela manhã e retornam à noite, somos frontalmente contrários”, avisou, ressaltando que acredita na sensibilidade do governo do estado para rever o projeto.

Em nome dos vereadores da Região Metropolitana, o vereador Paulo Silveira, de Gravataí, criticou a forma com que o projeto foi concebido. “Foi durante a pandemia, quando as pessoas estavam lutando contra o vírus ou pela sobrevivência de suas famílias, sem nenhum diálogo e sem consultar ninguém”, revelou.

Já o prefeito de Sapucaia do Sul afirmou que as obras da rodovia ainda não estão concluídas e que não é o momento de discutir pedágio na região. “Precisamos discutir melhorias em iluminação e segurança. Esse pedágio que querem instalar é impróprio, insano e não interessa à Região Metropolitana”, disparou.