Foto: Jaime Zanatta/GBC

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Uma frente vai avançar pelo Sul do Brasil entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, rompendo o persistente bloqueio atmosférico e estourando a bolha de calor que afeta todo o RS há duas semanas. A temperatura despencará em relação ao que vem se registrando.

Na próxima quinta (27) a máxima de 27°C em Canoas dará inicio a uma sequência de dias de marcas mais agradáveis. No domingo voltaria a ficar ao redor dos 30ºC, o que é a média máxima normal de janeiro. No fim de semana, de acordo com a Metsul Meteorologia, alguns locais (baixadas) dos Aparados da Serra e do Planalto Sul Catarinense podem anotar mínimas de um dígito, portanto abaixo de 10ºC. Gramado e Canela, muito buscadas pelos turistas e que chegaram a ter mais de 36ºC nos últimos dias, podem anotar 13ºC a 14ºC nas madrugadas do fim de semana, previsão idêntica para Caxias do Sul.

O estouro da bolha de calor

É preciso um sistema atmosférico de mesoescala mais vigoroso como uma frente fria para que se estoure uma bolha de calor com a potência como a que cobre o Centro da América do Sul há duas semanas, o que traz uma onda de calor extremamente forte e prolongada com múltiplos recordes históricos. É o que vai ocorrer com esta frente fria impulsionada por uma massa de ar frio. Diferentemente da última semana, quando uma massa de ar frio trouxe máximas baixas recordes para janeiro no Sul da província de Buenos Aires e depois desviou para o mar. A bolha de calor, assim, vai estourar. Mas o que é uma bolha de calor? O verão significa clima quente – às vezes perigosamente quente – e ondas de calor extremas se tornaram mais frequentes nas últimas décadas por conta das mudanças climáticas.

Às vezes, o calor escaldante fica aprisionado no que é chamado de cúpula de calor. Áreas de alta pressão, como cúpulas de calor, têm ar descendente (subsidência). Isso comprime o ar no solo e através da compressão aquece a coluna de ar. Em suma, uma cúpula de calor é criada quando uma área de alta pressão permanece sobre a mesma área por dias ou até semanas, prendendo ar muito quente por baixo assim como uma tampa em uma panela. É, assim, um processo físico na atmosfera. As massas de ar quente se expandem verticalmente na atmosfera, criando uma cúpula de alta pressão que desvia os sistemas meteorológicos – como frentes frias – ao seu redor.

À medida que o sistema de alta pressão se instala em determinada região, o ar abaixo aquece a atmosfera e dissipa a cobertura de nuvens. O alto ângulo do sol de verão combinado com o céu claro ou de poucas nuvens aquece ainda mais o solo. Em meio a condições de seca, como o Rio Grande do Sul e países vizinhos hoje enfrentam, o ciclo vicioso não termina aí. A combinação de calor excessivo e superfície terrestre ressecada funciona para tornar a onda de calor ainda mais extrema. É o que os cientistas denominam de mecanismo de feedback.

Com escassa umidade no solo, a energia térmica que normalmente seria usada na evaporação – um processo de resfriamento – aquece diretamente o ar e o solo. Quando a superfície da terra está mais seca, assim, ela não consegue se resfriar por evaporação, o que torna a superfície ainda mais quente, o que fortalece ainda mais o bloqueio da cúpula de calor. Não à toa a maioria das mais poderosas ondas de calor da história gaúcha ocorreram sob forte a severa estiagem, caso de 1943 que tem os recordes oficiais de máxima tanto de Porto Alegre como do interior.

Fonte: Agora no Vale/APNI/MetSul – https://metsul.com/frente-fria-vai-estourar-bolha-de-calor-e-pora-fim-a-duas-semanas-torridas/