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06 de abril de 2025

Remédios infantis podem desencadear diabetes a longo prazo

De acordo com o estudo, medicamentos que alteram o microbioma intestinal podem aumentar o risco de doenças em crianças.

Estudo publicado na Science mostra que bactérias benéficas são essenciais para o desenvolvimento das células beta do pâncreas, responsáveis por produzir insulina, apontando novas possibilidades de prevenção e tratamento do diabetes.

De acordo com a pesquisa, a exposição a antibióticos na infância pode prejudicar esse processo, elevando o risco de diabetes na vida adulta.

O microbioma intestinal infantil — composto por bactérias e fungos presentes no corpo desde os primeiros meses de vida — pode ter um papel decisivo na saúde metabólica.

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O impacto dos antibióticos no desenvolvimento das células beta

Pesquisadores das universidades do Colorado e de Utah descobriram que camundongos expostos a antibióticos de amplo espectro durante uma fase crítica do desenvolvimento apresentaram uma redução na quantidade de células produtoras de insulina e um pior desempenho metabólico na fase adulta.

O período analisado corresponde, nos seres humanos, à faixa etária de aproximadamente 7 a 12 meses, indicando que essa fase é crucial para o desenvolvimento saudável do pâncreas.

Camundongos expostos a antibióticos apresentaram níveis mais altos de açúcar no sangue, menor produção de insulina e um risco significativamente aumentado de desenvolver diabetes.

Esses resultados fortalecem a hipótese de que o uso indiscriminado de antibióticos pode desestabilizar o microbioma infantil, impactando negativamente a saúde metabólica ao longo da vida.

Relação entre o microbioma e a prevenção do diabetes

O estudo identificou microrganismos, como o fungo Candida dubliniensis, que estimulam a multiplicação das células beta pancreáticas e aumentam a produção de insulina. Camundongos expostos a fezes de bebês saudáveis entre 7 e 12 meses apresentaram esse efeito, indicando uma janela crítica em que o microbioma favorece a saúde metabólica.

As descobertas apontam novas possibilidades para a prevenção do diabetes tipo 1, como o uso de probióticos ou terapias com microrganismos. No entanto, os cientistas alertam que esses tratamentos devem ser aplicados com cautela, já que os efeitos dos microrganismos variam conforme a fase da vida.

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