O ambiente econômico no Rio Grande do Sul ficou mais desafiador em 2025. Com juros elevados e reflexos de crises recentes, empresas de diferentes setores passaram a enfrentar dificuldades para manter as atividades.
Como resultado, os números oficiais revelam um aumento expressivo tanto de encerramentos quanto de pedidos de proteção judicial, relata Giane Guerra, em sua coluna na GZH.
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Movimento crescente entre empresários
Ao mesmo tempo, empresários passaram a buscar alternativas para tentar sobreviver em meio à pressão financeira. Dessa forma, mecanismos legais ganharam espaço, especialmente aqueles voltados à reorganização de dívidas e preservação dos negócios.
Falências no RS crescem 65% em um ano
As Falências no RS avançaram de forma significativa em 2025. Ao todo, 99 empresas decretaram falência no Estado, o que representa um aumento de 65% em comparação com 2024. Apesar do salto, o número ainda não é recorde histórico. Em 2006, por exemplo, o Rio Grande do Sul registrou cerca de 250 quebras empresariais.
Recuperações judiciais atingem maior número da série
Se as falências não bateram recorde, o mesmo não pode ser dito das recuperações judiciais. Foram 200 pedidos registrados ao longo de 2025, o maior volume desde o início do monitoramento pela Junta Comercial. O crescimento foi de 23% em relação ao ano anterior. Esse instrumento, que substituiu a antiga concordata, busca dar fôlego às empresas ao suspender cobranças e permitir a reorganização do caixa e da estrutura do negócio.
Juros altos, pandemia e enchentes pesam no resultado
Entre os principais fatores para o avanço das Falências no RS e das recuperações judiciais estão os juros elevados, os efeitos ainda presentes da pandemia e os prejuízos causados pela enchente. Além disso, cada setor enfrenta dificuldades específicas. Outro ponto relevante é a maior flexibilidade dos empresários para recorrer à recuperação judicial, acompanhada da ampliação do aparato jurídico disponível. Recentemente, produtores rurais também passaram a utilizar mais esse recurso, pressionados pelo alto nível de endividamento.
Abertura e fechamento de empresas seguem em alta
Mesmo diante do cenário adverso, a criação de empresas no Estado cresceu 17%, alcançando 296.878 novos registros. No entanto, esse avanço foi fortemente influenciado pela abertura de microempreendedores individuais, os MEIs. Em paralelo, a extinção de empresas também aumentou de forma expressiva, com alta de 24% e total de 182.224 encerramentos, reforçando o ambiente de instabilidade para o setor produtivo gaúcho.

