Uma empresa gaúcha do setor de reciclagem entrou em um período delicado e acionou a Justiça para tentar reorganizar suas finanças. O pedido acendeu o alerta no setor ambiental e industrial, especialmente entre companhias que cresceram apostando em metas sustentáveis de grandes multinacionais.
Nos bastidores, o caso chama atenção porque envolve decisões tomadas fora do Brasil, mudanças globais de política ambiental e impactos diretos em negócios locais. O cenário acabou se tornando um exemplo de como ajustes estratégicos internacionais podem atingir empresas regionais.
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Somente após uma sequência de investimentos e expansão acelerada é que a situação financeira da companhia começou a se deteriorar, levando ao pedido de recuperação judicial, protocolado recentemente.
Dívida milionária levou ao pedido de recuperação judicial
A empresa, sediada em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, acumulou uma dívida total de R$ 16,4 milhões, sendo que R$ 10,9 milhões estão incluídos no processo de recuperação judicial. Criado em 2011, o grupo atua na triagem, lavagem e trituração de plástico PET, fornecendo matéria-prima para indústrias de embalagens.
O crescimento mais expressivo ocorreu a partir de 2022, quando grandes clientes passaram a exigir volumes maiores de plástico reciclado, impulsionados por metas ambientais mais rígidas.
Investimentos altos e mudança repentina de cenário
Para atender à demanda, a empresa investiu pesado e adquiriu cerca de 60 máquinas, incluindo equipamentos de alta tecnologia capazes de remover contaminantes e elevar a qualidade do plástico reciclado a um nível próximo ao material virgem.
No entanto, segundo o pedido judicial, o cenário mudou no fim de 2024. Metas ambientais de grandes multinacionais foram revistas após alterações na política ambiental dos Estados Unidos, durante o governo de Donald Trump, reduzindo a demanda por material reciclado.
Redução da operação e plano em análise
Com a queda na procura, a empresa gaúcha precisou reduzir suas operações. Um plano de reestruturação já foi apresentado à Justiça e agora aguarda a análise e aprovação dos credores.
Até o momento, não há previsão de venda de ativos como parte do plano. A empresa foi procurada para comentar o pedido de recuperação judicial, mas não retornou até a publicação. O escritório jurídico responsável informou que não irá se manifestar sobre o caso.

