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20 de janeiro de 2026

Gigante de roupas diz “tchau, tchau” ao Brasil e leva produção para outro país

Gigante de roupas encerra produção no Brasil após 104 anos e aposta no Paraguai para reduzir custos. Entenda o que motivou a decisão.

Uma decisão histórica marcou o setor têxtil brasileiro nos últimos dias. Uma gigante de roupas com mais de um século de atuação no país anunciou a transferência de parte de sua produção para o Paraguai, encerrando uma trajetória industrial iniciada há 104 anos no Brasil.

A mudança ocorre em meio ao aumento dos custos operacionais no país, impulsionados por alterações na legislação tributária e pela redução de incentivos fiscais estaduais. Segundo a empresa, o novo cenário tornou inviável manter toda a produção em território nacional.

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Mais de um século de produção no Brasil

Fundada no início do século passado, a gigante de roupas atravessou momentos marcantes da história econômica mundial, como a crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial, períodos de hiperinflação e a pandemia de Covid-19, mantendo sua produção no Brasil ao longo de décadas.

Apesar dessa resistência histórica, a empresa afirma que o ambiente atual de negócios pesou na decisão de buscar um país com regras mais favoráveis à indústria têxtil.

Nova fábrica no Paraguai e redução de custos

Em junho deste ano, a Lupo inaugurou uma nova unidade industrial em Ciudad del Este, no Paraguai. O investimento ultrapassa R$ 30 milhões, e a fábrica tem capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano. Atualmente, cerca de 110 trabalhadores atuam diretamente na operação.

De acordo com estimativas da empresa, a mudança para o Paraguai representa uma economia de aproximadamente 28% nos custos de produção, resultado da menor carga tributária e de um ambiente regulatório mais simples. A localização estratégica, próxima às fronteiras com Brasil e Argentina, também facilita a logística de exportação.

Regime de maquila atrai empresas do setor

No país vizinho, a Lupo passou a operar sob o regime de maquila, que permite a industrialização com insumos importados e tributação reduzida, desde que os produtos sejam destinados à exportação.

Esse modelo tem atraído outras empresas do setor têxtil, que buscam reduzir custos e manter competitividade no mercado internacional diante do aumento das despesas no Brasil.

Decisão foi econômica, diz empresa

Segundo a empresa, a transferência de parte da produção não foi uma escolha estratégica planejada a longo prazo, mas uma resposta direta às pressões econômicas enfrentadas no Brasil. A executiva da companhia classificou a mudança como uma necessidade imposta pelo atual contexto tributário e regulatório.

A reportagem tenta contato com a Lupo, mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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