O piso dos professores voltou ao centro do debate nacional nesta semana após uma longa discussão envolvendo governo federal, estados e municípios. Desde o início do ano, a expectativa era grande em torno de um possível aumento, mas divergências sobre o cálculo acabaram adiando o anúncio oficial.
Nos bastidores, entidades representativas da educação, gestores municipais e técnicos do Ministério da Educação (MEC) discutiam qual índice deveria ser aplicado para evitar um reajuste considerado muito baixo. A preocupação era garantir valorização real aos profissionais sem comprometer os orçamentos locais.
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Somente nesta quarta-feira (21), o governo federal confirmou o novo reajuste do piso dos professores, fixado em 5,4%, após revisão do cálculo pelo MEC. A atualização foi formalizada por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Piso dos professores: qual será o novo valor pago em 2026
Com o novo percentual, o salário base dos professores da educação básica com jornada de 40 horas semanais passa de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63. O índice garante ganho real de 1,5% acima da inflação, medida pelo INPC de 2025, que fechou em 3,9%.
Segundo representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o cálculo do piso dos professores segue a metodologia debatida no Fórum de Acompanhamento do Piso, coordenado pelo MEC.
Como foi feito o cálculo do reajuste
A fórmula considera o INPC do ano anterior somado a 50% da média da variação das receitas do Fundeb dos últimos cinco anos. Essa regra assegura que o reajuste anual nunca fique abaixo da inflação oficial.
Inicialmente, havia expectativa de um aumento de 6,25%, mas o índice foi revisto após a consolidação dos dados oficiais. De acordo com a CNTE, a projeção anterior utilizava estimativas ainda não fechadas, o que levou o MEC a recalcular o percentual final.
Mudança evitou reajuste mínimo e gerou reação
A revisão do critério também evitou a aplicação de um reajuste de apenas 0,37%, possibilidade discutida em janeiro e que provocou forte reação entre professores e entidades do setor.
O governo avaliou que um aumento tão baixo comprometeria a política de valorização do magistério e decidiu alterar o cálculo antes da divulgação oficial.
Estados e municípios demonstram preocupação
Estados e municípios, responsáveis pelo pagamento direto do piso dos professores, manifestaram preocupação com o impacto financeiro da medida. Prefeituras alertam para dificuldades orçamentárias, principalmente em cidades menores.
A Medida Provisória, no entanto, mantém a possibilidade de apoio técnico e financeiro da União para entes federativos que comprovarem incapacidade de arcar com o pagamento.
Entenda como funciona o piso do magistério
O piso dos professores é definido por lei desde 2008 e tem atualização anual vinculada ao Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica no país.
Por essa razão, os índices variam bastante ao longo dos anos. Em 2022, por exemplo, o reajuste foi de 33%, enquanto em outros períodos os aumentos foram bem menores ou inexistentes.
Apesar de o percentual anunciado ser inferior ao esperado inicialmente, entidades afirmam que o novo valor garante avanço real. Representantes do setor avaliam que a medida contribui para a valorização da carreira e mantém viva a discussão sobre uma política salarial mais estável para o magistério.

