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28 de janeiro de 2026

Nipah vírus: ameaça detectada na Índia pode chegar ao Brasil ainda em 2026? Especialistas respondem

Nipah vÍrus tem surtos na Índia e levanta a pergunta: pode chegar ao Brasil em 2026? Especialistas e Ministério da Saúde respondem.

O recente reaparecimento do Nipah vírus em 2026, um vírus zoonótico considerado altamente letal, voltou a colocar autoridades e especialistas em alerta no Brasil e no mundo. Embora a detecção de novos casos tenha ocorrido na Índia, muitos brasileiros se perguntam: o Nipah pode chegar ao Brasil?

O que é o Nipah vírus e onde foi detectado em 2026

O Nipah é um vírus transmitido principalmente por animais para humanos (especialmente por morcegos-fruta e, em alguns casos, por porcos) e também pode se manifestar por transmissão direta entre pessoas em contato próximo. A doença pode variar de leve a grave, com casos de encefalite fatal em surtos anteriores.

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Na Índia, autoridades de saúde confirmaram recentemente casos de Nipah no estado de Bengala Ocidental, desencadeando monitoramento de contatos, quarentenas e reforço de medidas sanitárias em países vizinhos da Ásia.

Especialistas ponderam sobre a possibilidade no Brasil

Apesar da preocupação global, especialistas ouvidos pela imprensa brasileira apontam que as chances do Nipah chegar ao Brasil são baixas, mas não totalmente nulas. Segundo a virologista Helena Lago, o vírus combina diferentes formas de transmissão (animal, alimentos contaminados e contato pessoal) o que o torna complexo de controlar, mas não necessariamente numa situação de surto global.

Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que a situação epidemiológica na Índia pode estar ligada a eventos naturais ou ambientais específicos daquela região, o que torna distinta a realidade brasileira.

“O vírus tem alto potencial epidêmico, mas o risco é baixo aqui”

Em entrevista à Veja Saúde, especialistas brasileiros reforçaram que o risco de o Nipah vírus circular no Brasil ainda em 2026 é considerado baixo, mesmo diante da letalidade elevada atribuída ao vírus pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS classifica o Nipah como um patógeno prioritário por seu potencial, mas ressalta que surtos anteriores foram contidos em nível regional na Ásia.

A infectologista Kamilla Moraes explicou a ausência de vacina ou tratamento específico e enfatizou que o manejo da doença, quando ocorre, é feito apenas com suporte clínico.

Ministério da Saúde: Brasil mantém vigilância e protocolos ativos

Em nota à Veja Saúde, o Ministério da Saúde do Brasil afirmou que considera o risco de uma pandemia por Nipah baixo, mesmo reconhecendo a letalidade do vírus. A pasta destacou que o país já possui protocolos de vigilância e resposta de emergência para agentes patogênicos altamente virulentos, em parceria com instituições como o Instituto Evandro Chagas, a Fiocruz e a OPAS.

Por que a chance de chegada ao Brasil é vista como remota

Entre os fatores que reduzem o risco de disseminação para o Brasil estão as diferenças na ecologia dos animais reservatórios. Os morcegos-fruta do gênero Pteropus, conhecidos por serem hospedeiros naturais do vírus na Ásia, não ocorrem naturalmente nas Américas, o que limita a possibilidade de um ciclo semelhante de transmissão entre animais e humanos no território brasileiro.

No entanto, pesquisadores alertam que a mobilidade internacional e o tempo de incubação da doença tornam possível, ainda que improvável, que alguém infectado viaje sem sintomas aparentes, o que exige vigilância constante.

Prevenção e vigilância: o papel das autoridades de saúde

Autoridades sanitárias brasileiras afirmam que medidas de monitoramento epidemiológico e vigilância em portos, aeroportos e fronteiras já estão em vigor, não apenas para Nipah, mas para uma série de agentes biológicos considerados de alto risco. Essas ações envolvem a identificação rápida de casos, rastreamento de contatos e protocolos de contenção de possíveis surtos.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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