A investigação sobre a morte do Cão Orelha ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (29), com a atuação direta das forças de segurança no aeroporto internacional de Florianópolis. O caso, que causou forte comoção pública, segue sob apuração da Polícia Civil de Santa Catarina.
Desde o início do mês, a morte do Cão Orelha, conhecido na região da Praia Brava, vem mobilizando moradores, protetores de animais e usuários das redes sociais. O cachorro era considerado comunitário e vivia há anos na área, recebendo cuidados espontâneos da população local.
LEIA TAMBÉM:
- Vírus Nipah: sintomas, transmissão e risco da doença que preocupa autoridades de saúde
- Avião cai e mata 15 pessoas; companhia aérea confirma que ninguém sobreviveu
- Quem não fizer biometria no INSS pode perder o benefício em fevereiro? Entenda o alerta e como fazer
A repercussão foi tão grande que o caso passou a ser tratado com prioridade pelas autoridades, que abriram dois inquéritos para apurar não apenas a morte do animal, mas também possíveis tentativas de coação a testemunhas. A principal novidade surgiu agora: dois adolescentes investigados pela morte do Cão Orelha, que estavam nos Estados Unidos, retornaram antecipadamente ao Brasil e tiveram os celulares apreendidos ainda no aeroporto.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ullisses Gabriel, o retorno foi identificado após monitoramento conjunto com a Polícia Federal. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em uma sala restrita do aeroporto, medida adotada para garantir a segurança de todos os envolvidos.
“Os equipamentos serão enviados para a PCI (Polícia Científica) para extração de dados, tal qual os demais apreendidos dia 26/01”, destacou Gabriel. Além dos celulares, roupas também foram recolhidas para análise.
A Polícia Civil informou ainda que solicitou a emissão de um laudo de corpo de delito do Cão Orelha, documento considerado fundamental para esclarecer a dinâmica das agressões.
Quem era o Cão Orelha

O Cão Orelha tinha cerca de 10 anos e era um cão comunitário que circulava livremente pela Praia Brava. Ele era alimentado diariamente por moradores e comerciantes da região e dividia o espaço com outros cães, que também recebiam cuidados básicos da comunidade.
Neste mês, o animal foi encontrado gravemente ferido e agonizando. Ele chegou a receber atendimento veterinário, mas não resistiu aos ferimentos causados pelas agressões.
Investigação segue em andamento
As investigações apontam que ao menos quatro adolescentes teriam participado das agressões com a intenção de causar a morte do Cão Orelha. A polícia também apura se o mesmo grupo tentou afogar outro cão comunitário na mesma praia, no início de janeiro.
Além do inquérito sobre a morte do animal, um segundo procedimento investiga o crime de coação. Conforme a polícia, parentes dos adolescentes teriam intimidado testemunhas. Três adultos já foram indiciados, mas os nomes não foram divulgados.

