Um cliente de 54 anos viveu uma situação inesperada após pagar mais de R$ 16 mil por cervejas em promoção em um supermercado Atacadão, em Boa Vista, Roraima. Mesmo após a compra ser finalizada no caixa, a entrega das bebidas foi negada pela gerência, o que levou o caso a ser registrado na polícia.
Segundo o consumidor, a situação, que começou como uma compra comum, terminou com desgaste emocional, constrangimento público e horas passadas em uma delegacia para garantir o cumprimento do direito previsto no Código de Defesa do Consumidor.
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Cliente gastou R$ 16 mil e entrega foi negada mesmo após pagamento
O cliente relatou que adquiriu 140 caixas de cerveja que estavam em promoção, com o valor unitário de R$ 4,92 por garrafa de 330 ml, preço inferior ao praticado normalmente. A oferta aparecia nos cartazes do supermercado, no leitor de preços e no sistema do caixa, onde a compra foi concluída sem qualquer impedimento.
No entanto, ao tentar retirar os produtos, a gerente da unidade impediu a entrega, alegando que o valor promocional era resultado de um erro no sistema.
Consumidor afirma ter sido acusado de má-fé
De acordo com o cliente, além da recusa na entrega, ele foi acusado de agir de má-fé, o que teria ocorrido diante de outros clientes, causando constrangimento. Diante da negativa do estabelecimento, a Polícia Militar foi acionada, e o caso acabou sendo levado para a delegacia.
A gerente chegou a ser detida por propaganda enganosa, mas foi liberada após análise inicial da autoridade policial.
Supermercado admite erro, mas libera produtos apenas no dia seguinte
Em nota, o Grupo Carrefour, responsável pela rede Atacadão, informou que a promoção ocorreu de forma indevida devido a uma falha no processo de atualização de preços. A empresa afirmou que, após identificar a inconsistência, corrigiu o erro e liberou a mercadoria pelo valor já pago, em conformidade com a legislação.
Apesar disso, as cervejas só foram entregues no dia seguinte, após o registro da ocorrência.
Polícia Civil vai instaurar inquérito
Mesmo com a entrega posterior dos produtos, a Polícia Civil de Roraima informou que vai instaurar um inquérito policial para apurar possível crime contra as relações de consumo.
A Delegacia de Defesa do Consumidor entende que a infração ocorre no momento em que a entrega é recusada, já que o consumidor havia pago pelo produto e tinha direito de retirá-lo imediatamente. A solução posterior não descaracteriza o possível crime.
Caso pode se enquadrar na Lei de Crimes contra o Consumidor
A conduta está sendo analisada à luz da Lei nº 8.137/1990, que trata de crimes contra as relações de consumo. Segundo a Polícia Civil, o foco da investigação será a conduta adotada no momento da recusa, independentemente da entrega realizada posteriormente.
O caso reacendeu o debate sobre promoções, erros sistêmicos, propaganda enganosa e os direitos do consumidor, especialmente em situações envolvendo grandes redes de varejo.

