Uma empresa de grande porte do setor de engenharia e construção entrou em falência no Brasil deixando um rastro de dívidas que ultrapassa R$ 644 milhões. No momento da declaração judicial, a companhia informou possuir apenas R$ 109 em conta bancária, além de um veículo e um terreno registrados em seu nome.
O caso chamou a atenção de credores e especialistas do setor, principalmente pelo contraste entre o tamanho do empreendimento envolvido e o patrimônio declarado durante o processo de falência, levantando suspeitas de possível fraude.
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Credores contestam falência e falam em estratégia para não pagar dívidas
Após o pedido de falência ser aceito pela Justiça, ex-funcionários e empresas prejudicadas se organizaram e criaram a Associação Internacional de Credores para contestar a decisão.
Segundo os credores, a falência teria sido estruturada de forma proposital, com o objetivo de blindar ativos e evitar o pagamento das obrigações financeiras. Ao todo, 47 credores estão listados no processo, incluindo fornecedores e prestadores de serviços que afirmam não ter recebido pelos trabalhos executados.
Empresa foi criada para projeto bilionário no Ceará
A empresa em falência, a Posco Brasil, foi criada em 2011 para atuar na construção de um projeto bilionário no Ceará. O empreendimento começou a operar em 2016, mas divergências entre os sócios comprometeram a continuidade da parceria.
Em 2022, o projeto foi vendido para outra grande companhia do setor, que, segundo informações do processo, não possui vínculo com as dívidas deixadas pela empresa falida.
Justiça aceita pedido de falência e suspende cobranças
O pedido de falência foi aceito pela Justiça em setembro de 2025, o que resultou na suspensão das ações de cobrança contra a empresa. Durante o processo, foi informado que os ativos disponíveis somam cerca de R$ 11 mil, incluindo um carro e um terreno.
A decisão judicial aumentou a indignação dos credores, que apontam a discrepância entre os valores movimentados ao longo dos anos e o patrimônio declarado no momento da falência.
Credores querem responsabilizar matriz estrangeira
A Associação Internacional de Credores busca agora responsabilizar a matriz da empresa na Coreia do Sul pela dívida acumulada no Brasil. A principal alegação é de que a falência da filial brasileira teria sido usada como mecanismo para transferir lucros à empresa-mãe, deixando os débitos em aberto no país.
O caso segue em disputa judicial e pode abrir precedentes importantes sobre falência de empresas multinacionais no Brasil.

