Trabalhadores que optarem pelo saque-aniversário do FGTS poderão acessar até R$ 2.500 por meio do aplicativo Caixa Tem, mas somente após cumprir uma carência obrigatória de 90 dias. A mudança foi aprovada pelo Conselho Curador do FGTS em novembro de 2025 e altera de forma significativa o uso do fundo como alternativa de crédito.
Antes da nova regra, a antecipação podia ser solicitada imediatamente após a adesão ao saque-aniversário. Agora, o trabalhador precisa aguardar três meses para realizar a primeira operação.
Como funcionará o novo limite de antecipação do Caixa Tem
Com o novo formato, cada trabalhador poderá fazer apenas uma antecipação por ano, com valor máximo inicial de R$ 2.500. Após o primeiro resgate, os valores liberados nos cinco anos seguintes ficam limitados a parcelas anuais de até R$ 500.
Além disso, foi definido que o valor mínimo por saque será de R$ 100, enquanto o máximo anual não poderá ultrapassar R$ 500. Dessa forma, o teto total de antecipação passa a ser rigidamente controlado.
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Menos liberdade para bancos e contratos mais curtos
Outra mudança importante diz respeito à quantidade de operações permitidas. A partir das novas regras, será possível antecipar até cinco saques-aniversário, respeitando o limite de um por ano dentro de um período de 12 meses. Após isso, o trabalhador poderá contratar até três novas antecipações, distribuídas ao longo de três anos.
Antes da mudança, as instituições financeiras definiam livremente o número de antecipações, o que resultava em contratos que comprometiam o saldo do FGTS por décadas. Em média, os contratos chegavam a oito antecipações, reduzindo drasticamente o saldo disponível ao trabalhador.
Objetivo é preservar recursos do FGTS
Segundo o Conselho Curador do FGTS, as novas regras buscam desacelerar a retirada de recursos do fundo, evitando seu uso recorrente como empréstimo pessoal. A intenção é preservar o FGTS para finalidades como demissões sem justa causa, habitação popular, saneamento básico e obras de infraestrutura.
Governo critica saque-aniversário via Caixa Tem
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, voltou a criticar duramente o modelo do saque-aniversário, classificando a modalidade como prejudicial ao trabalhador.
“Ao ser demitida, a pessoa não pode sacar o saldo do seu FGTS — e demissões acontecem todos os dias. Hoje, já temos 13 milhões de trabalhadores com valores bloqueados, que somam R$ 6,5 bilhões”, afirmou o ministro.
Segundo dados apresentados na reunião do Conselho, entre 2020 e 2025, as operações de alienação do FGTS somaram R$ 236 bilhões. Atualmente, cerca de 21,5 milhões de trabalhadores, pouco mais da metade dos ativos, aderiram ao saque-aniversário — e aproximadamente 70% deles utilizaram a antecipação do saldo.
O que é o saque-aniversário do FGTS
O saque-aniversário permite a retirada anual de uma parte do saldo do FGTS no mês de nascimento do trabalhador, mediante adesão pelo aplicativo ou site do FGTS. No entanto, quem escolhe essa modalidade perde o direito de sacar o saldo integral em caso de demissão sem justa causa, mantendo apenas o recebimento da multa rescisória de 40%.

