O vírus Nipah (NiV) é considerado uma das doenças infecciosas mais perigosas do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A enfermidade chama atenção pela alta taxa de letalidade, que varia entre 40% e 75% dos casos confirmados.
Identificado pela primeira vez em 1999, após um surto entre criadores de suínos na Malásia, o vírus tem como hospedeiro natural morcegos frugívoros, especialmente do gênero Pteropus.
Como ocorre a transmissão do vírus Nipah
A transmissão para seres humanos pode ocorrer de diferentes formas, incluindo:
- Contato direto com animais infectados ou suas secreções;
- Consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva de tamareira crua expostas à urina ou saliva de morcegos;
- Transmissão entre pessoas, por meio do contato com fluidos corporais, principalmente em ambientes hospitalares ou domiciliares.
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Sintomas iniciais se confundem com gripe
Clinicamente, a infecção pelo Nipah representa um grande desafio. O período de incubação costuma variar de 4 a 21 dias, podendo chegar a 45 dias em casos raros.
Os sintomas iniciais são frequentemente inespecíficos e semelhantes aos de uma gripe comum, como:
- Febre;
- Dores musculares;
- Vômitos;
- Mal-estar geral.
No entanto, a doença pode evoluir rapidamente.
Complicações graves e risco neurológico
Em casos mais severos, o vírus Nipah pode provocar:
- Insuficiência respiratória grave;
- Encefalite aguda, inflamação do cérebro que causa tontura, sonolência, confusão mental e convulsões.
Em situações extremas, o quadro pode evoluir para coma em menos de 48 horas.
Mesmo entre os sobreviventes, cerca de 20% apresentam sequelas neurológicas permanentes ou sofrem recaídas tardias, meses após a recuperação.
Onde o vírus Nipah circula atualmente
Atualmente, os casos humanos estão concentrados no Sul e Sudeste Asiático, com Bangladesh e Índia registrando surtos periódicos.
Embora o vírus já tenha sido identificado em morcegos na África e em outras regiões da Ásia, não há registros confirmados de casos humanos fora desse eixo até o momento.
Não há vacina nem tratamento específico
Um dos pontos mais preocupantes é que não existe vacina preventiva nem tratamento antiviral específico contra o vírus Nipah. O atendimento médico se limita a cuidados intensivos de suporte, voltados ao controle dos sintomas e das complicações.
Por esse motivo, a prevenção é considerada a principal ferramenta de combate à doença.
Recomendações de prevenção
As autoridades sanitárias orientam a população a:
- Evitar o consumo de suco de tâmara cru;
- Lavar e descascar frutas antes do consumo;
- Descartar alimentos com sinais de mordidas de animais;
- Reforçar a higiene das mãos.
Para profissionais de saúde e cuidadores em áreas endêmicas, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é essencial para evitar a transmissão entre pessoas.
O que diz a OMS
Em nota oficial, a OMS afirmou que está apoiando países afetados e em risco, oferecendo orientações técnicas para o controle de surtos e a prevenção da doença.
“O risco de transmissão internacional pode ser evitado lavando e descascando frutas antes do consumo. Frutas com sinais de mordidas de morcegos devem ser descartadas”, destacou a organização.

