Os primeiros dias após o parto costumam ser marcados por mudanças intensas no corpo e na rotina das mães. Entre adaptação à amamentação, alterações hormonais e cansaço, situações inesperadas também podem surgir. Foi exatamente nesse período que a influenciadora Jasmine Mamiya levou um susto ao descobrir que havia desenvolvido um “terceiro seio” em um local inusitado: a axila.
Cinco dias depois de dar à luz seu segundo filho, Jasmine recebeu a visita de uma consultora de lactação, profissional responsável por orientar mães durante o processo de amamentação. Experiente, ela amamentou o primeiro bebê por um ano e meio, acreditava que nada mais poderia surpreendê-la.
Durante a consulta, a enfermeira explicou sobre a existência de tecido mamário extra, que pode se manifestar fora das mamas. Jasmine então comentou que vinha percebendo um inchaço na região das axilas, que também escureceram ao longo da gravidez, assim como mamilos e aréolas.
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Ao examinar o local, a reação da profissional chamou atenção.
“Ela olhou e disse que aquilo era um mamilo. Fiquei em choque. Achei que fosse só uma verruguinha de pele, mas ela explicou que humanos também podem ter mamilos extras, como outros mamíferos”, contou Jasmine em um vídeo publicado no TikTok, que rapidamente viralizou.
O que é polimastia?
O caso de Jasmine está relacionado a uma condição chamada polimastia, caracterizada pela presença de tecido mamário além das duas mamas habituais. Segundo o mastologista Amilcar Assis, do Hospital Sírio-Libanês, esse tecido extra, conhecido como mama acessória, se forma ainda no desenvolvimento embrionário.
“Durante a formação do embrião, existe a chamada linha mamária, que vai da axila até a região inguinal. Normalmente, ela regride, permanecendo apenas o tecido mamário no tórax. Quando essa regressão é incompleta, podem permanecer focos de tecido mamário em outras regiões, principalmente nas axilas”, explica.
Apesar de pouco comentada, a condição não é considerada rara. Estimativas apontam que a polimastia ou a presença de tecido mamário ectópico ocorre em 2% a 6% da população, sendo mais frequente em mulheres. Em muitos casos, a alteração passa despercebida ou é confundida com gordura localizada.
Por que o tecido cresce na gravidez?
De acordo com o ginecologista e mastologista Alexandre Pupo Nogueira, do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês, o tecido mamário extra reage aos mesmos estímulos hormonais das mamas durante a gestação.
“Isso acontece pelos mesmos motivos que fazem as glândulas mamárias crescerem e se prepararem para a lactação”, esclarece.
Na maioria dos casos, a mama acessória não possui ductos adequados para a saída do leite. “Em situações raras, pode até produzir leite, mas ele acaba acumulado. Uma mama completa na axila, com mamilo visível, é algo bastante incomum”, afirma o especialista.
Quando é necessário tratar?
Embora seja considerada uma condição benigna, a polimastia pode causar desconforto, especialmente durante a gravidez e a amamentação. O mastologista e oncologista Wesley Pereira Andrade, que atua em São Paulo, explica que medidas simples costumam aliviar os sintomas.
“Compressas frias ajudam a reduzir dor e inchaço durante esse período”, orienta.
O tratamento definitivo é cirúrgico, mas geralmente indicado apenas após o fim da gestação e da amamentação. “Durante esse período, o estímulo hormonal é intenso, o que torna a cirurgia inconveniente”, completa.
Alexandre reforça que a remoção é considerada quando o tecido interfere na qualidade de vida. “Se atrapalha o uso de roupas, causa dor frequente ou crescimento exagerado, a cirurgia pode ser indicada”, diz.
Apesar de benigna, a mama acessória exige acompanhamento médico. “Por conter células mamárias, também existe risco de câncer nesse tecido. Qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um especialista”, alerta Wesley.

