O caso envolvendo o Jogo do Tigrinho causou revolta e comoção ao vir à tona nesta semana. Uma história que começou com solidariedade e mobilização popular terminou em denúncia, prisão e indignação coletiva.
Doações feitas por pessoas comuns, campanhas divulgadas em rifas e até em programas de TV tinham um único objetivo: ajudar uma criança pequena a enfrentar uma situação de saúde extremamente delicada.
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O que ninguém imaginava é que a confiança depositada dentro da própria família seria quebrada de forma tão brutal.
Um pai foi preso após desviar R$ 113 mil arrecadados em doações para o próprio filho com deficiência e utilizar grande parte do dinheiro em apostas virtuais, incluindo o conhecido Jogo do Tigrinho. A prisão ocorreu após denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria de Justiça de Murici.
O acusado, João Victor dos Santos Oliveira, é apontado como responsável por movimentar valores que haviam sido transferidos para a conta do filho, Noah Gabriel Ferreira dos Santos, de apenas 1 ano e 5 meses. O menino teve os membros superiores e inferiores amputados após uma pneumonia grave, situação que comoveu moradores de Murici e de outras cidades.
Segundo o Ministério Público, a mãe da criança estava em Maceió acompanhando o filho no hospital quando o pai providenciou a abertura de uma conta bancária em nome do menino, ficando como responsável financeiro para receber as doações.
Mais tarde, quando a mãe tentou acessar os recursos para custear o tratamento médico e a colocação de próteses, descobriu que quase todo o dinheiro havia desaparecido.
De acordo com o relato da genitora, Mikaelle Ferreira dos Santos, o pai não prestava contas sobre os valores recebidos e evitava dar explicações sempre que era questionado. Dos R$ 133 mil arrecadados, restavam apenas R$ 300 na conta.
Jogo do Tigrinho e mais gastos
Conforme a denúncia, João Victor confessou que utilizou o dinheiro em plataformas de apostas, incluindo o Jogo do Tigrinho, além de outras despesas pessoais. Ele teria se apresentado como representante legal da criança ao abrir a conta na Caixa Econômica Federal.
Diante dos fatos, o Ministério Público protocolou ação criminal pelos crimes de furto qualificado, estelionato contra vulnerável e abandono material, com pedido de prisão preventiva. A Justiça acatou a solicitação, e o mandado foi cumprido no início da tarde.

