A recuperação judicial de uma tradicional empresa gaúcha do setor de transportes avançou de forma decisiva nesta semana e trouxe alívio para trabalhadores e parceiros comerciais. A decisão evita um cenário mais grave e mantém viva uma operação considerada estratégica no país.
Com décadas de atuação no transporte rodoviário de cargas, a empresa vinha enfrentando um período de forte pressão financeira, provocado por fatores externos e mudanças recentes no setor. Mesmo assim, manteve os serviços e buscou uma solução legal para reorganizar suas obrigações.
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A definição ocorreu após negociação com credores e reacendeu a expectativa de estabilidade para centenas de famílias que dependem diretamente da atividade da companhia.
A Mercopampa, com sede em Santa Maria, teve seu plano de recuperação judicial aprovado em Assembleia Geral de Credores. Agora, a empresa aguarda apenas a homologação do Judiciário para iniciar oficialmente o cumprimento das medidas previstas no plano.
Com mais de 33 anos de atuação, a empresa é uma das principais prestadoras de serviços dos Correios no Brasil. Atualmente, opera em 12 estados e conta com uma frota superior a 200 caminhões, o que reforça a relevância da decisão para o setor logístico.
Enchentes e custos pressionaram a recuperação judicial
Entre os fatores que levaram a Mercopampa à recuperação judicial, estão as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Os eventos climáticos comprometeram rodovias estratégicas, geraram atrasos, elevaram custos logísticos e dificultaram a regularidade dos serviços.
Além disso, uma decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI nº 5.322 declarou a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei do Motorista. A mudança provocou aumento significativo nos custos trabalhistas, impactando contratos em andamento e pressionando ainda mais o caixa da empresa.
Crise dos Correios agravou o cenário
Outro ponto destacado no processo foi a situação financeira dos Correios. A empresa apontou atrasos recorrentes nos repasses contratuais, o que afetou diretamente o fluxo de caixa da Mercopampa em um momento já delicado.
Mesmo diante desse cenário, a companhia manteve as operações e recorreu à recuperação judicial como alternativa para reorganizar dívidas e garantir a continuidade das atividades.
Plano preserva empregos e operações
Com o plano aprovado, a Mercopampa poderá seguir operando normalmente após a homologação judicial. A medida garante a preservação de mais de 500 empregos diretos e assegura a continuidade dos serviços prestados aos Correios em diferentes regiões do país.
A condução do processo ficou a cargo dos advogados Carlos Alberto Becker e Augusto Becker, do escritório Bochi Brum e Zampieri Sociedade de Advogados. Segundo eles, a recuperação judicial cumpre o papel de preservar a empresa, os postos de trabalho e a atividade econômica, além de oferecer segurança jurídica aos credores e ao mercado.
A reportagem tenta contato com a empresa, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

