Os impactos da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 continuam sendo sentidos muito além dos danos materiais. Mesmo meses após o desastre climático, pesquisadores alertam para consequências que não aparecem nas ruas, mas afetam diretamente a vida de milhares de pessoas.
Um novo levantamento mostra que os efeitos emocionais do evento extremo ainda estão presentes no dia a dia da população, especialmente entre grupos mais vulneráveis. O cenário reforça a necessidade de atenção contínua à saúde mental no Estado.
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É a partir desse contexto que um estudo identificou um aumento expressivo de ansiedade e depressão após a enchente, com sintomas que variam de moderados a graves entre moradores de diversas regiões gaúchas.
Sintomas de ansiedade e depressão aumentaram no RS após enchente de 2024, aponta estudo: veja mais detalhes
A pesquisa analisou dados de 2.494 adultos e revelou que 72% apresentaram sinais de ansiedade e 52% sintomas de depressão depois da enchente de maio de 2024. O estudo foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e contou com pesquisadores de universidades do Brasil e do exterior.
Segundo os dados, 83,8% dos entrevistados relataram algum impacto direto das enchentes, como perdas materiais, falta de energia ou necessidade de deixar a própria casa. Entre eles, quase 30% enfrentaram alta sobrecarga emocional no período pós-desastre.
Os sintomas mais intensos de ansiedade e depressão após a enchente foram observados principalmente entre pessoas pardas, com menor escolaridade e que viviam sozinhas. No grupo mais afetado, 36% precisaram sair de casa, enquanto outros relataram perdas parciais ou totais de bens.
O deslocamento forçado apareceu como um dos fatores mais associados ao agravamento da ansiedade. Já entre os participantes que sofreram menor impacto, quase 95% não precisaram deixar suas residências durante o período crítico.
De acordo com os pesquisadores, os dados reforçam que eventos climáticos extremos não geram apenas prejuízos físicos, mas também consequências duradouras para a saúde mental da população. Novas etapas do estudo devem acompanhar esses participantes ao longo do tempo para entender se os sintomas tendem a diminuir ou se permanecem elevados.
O levantamento faz parte da Coorte PAMPA, iniciada ainda durante a pandemia de Covid-19, e deve ganhar um novo ciclo de pesquisas a partir de junho deste ano, com foco nos efeitos prolongados da enchente sobre o bem-estar psicológico dos gaúchos.

