Uma empresa gaúcha pediu falência após enfrentar uma sequência de crises financeiras que se agravaram nos últimos anos. A fabricante de calçados Mulher Sofisticada, localizada em Três Coroas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, anunciou o encerramento das atividades com dívidas que ultrapassam R$ 18,3 milhões.
A decisão foi confirmada pelo escritório de advocacia responsável pelo processo. Segundo o sindicato da categoria, o cenário já vinha se deteriorando há algum tempo, mas um fator recente acelerou o desfecho.
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Tarifaço dos Estados Unidos em setembro agravou a situação
De acordo com o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Três Coroas, Erni Rinker, a empresa perdeu clientes importantes após a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos.
“Com o tarifaço, perderam alguns clientes importantes, o que agravou mais ainda a situação. Então o proprietário resolveu aderir à autofalência para não piorar ainda mais”, afirmou.
As tarifas sobre importações, anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passaram a valer no início de agosto. Com isso, os impostos médios sobre produtos estrangeiros atingiram o maior nível em mais de cem anos, afetando diversos países.
Dívida milionária e 77 funcionários desligados
A empresa gaúcha pediu falência com um passivo superior a R$ 18,3 milhões. Segundo o sindicato, a fábrica contava com 77 funcionários, que serão desligados.
As rescisões trabalhistas estavam previstas para setembro de 2025, com liberação de FGTS e seguro-desemprego. Além disso, o sindicato informou que há outras empresas interessadas em contratar parte dos trabalhadores demitidos.
Tentativas de renegociação fracassaram
Conforme o escritório MSC Advogados, houve tentativa de renegociação das dívidas. No entanto, as negociações não avançaram.
Diante disso, a direção optou pela autofalência como forma de evitar o agravamento da situação financeira e o aumento do passivo.
A trajetória da empresa antes da falência
Fundada em 2012, a Mulher Sofisticada chegou a produzir 3,7 mil pares de calçados femininos por dia para grandes marcas nacionais. Contudo, nos últimos meses, operava com cerca de 1,5 mil pares diários.
A crise se construiu ao longo dos anos:
- 2018: Um dos principais clientes deixou de pagar, iniciando o desequilíbrio financeiro.
- 2020: A pandemia reduziu a operação para 50% da capacidade.
- 2022: Dois grandes clientes faliram, ampliando o passivo.
- 2024: As enchentes no Rio Grande do Sul afetaram a fábrica.
- 2025: O tarifaço dos Estados Unidos resultou na perda de clientes estratégicos.
Agora, a empresa gaúcha pediu falência e encerra um ciclo de mais de uma década no setor calçadista.

