Uma fala do ministro de Assuntos Religiosos da Malásia, Zulkifli Hasan, provocou forte repercussão internacional ao associar o estresse no ambiente de trabalho à orientação sexual. Segundo o político, condições como pressão profissional poderiam fazer com que as pessoas “virassem gays”.
A declaração foi amplamente criticada por organizações de direitos humanos, especialistas em saúde e ativistas da comunidade LGBTQIAPN+, que classificaram a fala como homofóbica e sem qualquer embasamento científico.
Ministro cita estudo sem respaldo científico
Ao justificar sua afirmação, Zulkifli Hasan mencionou um estudo de 2017, alegando que fatores como influência social, experiências pessoais e estresse profissional estariam entre as “causas” da homossexualidade.
Especialistas, no entanto, reforçam que não existe relação científica entre orientação sexual e fatores psicológicos ou ambientais, como estresse no trabalho. A orientação sexual é reconhecida como uma característica natural da diversidade humana.
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Homossexualidade não é doença
A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou oficialmente a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID) em 1990, após amplo consenso científico de que ela não constitui transtorno, doença ou desvio comportamental.
Desde então, declarações que associam a orientação sexual a problemas psicológicos ou sociais são consideradas desinformação e contribuem para o aumento do estigma e da discriminação.
Contexto de repressão à comunidade LGBTQIAPN+ na Malásia
A fala do ministro reflete um cenário institucional mais amplo de repressão à população LGBTQIAPN+ na Malásia. O país mantém leis que criminalizam relações homoafetivas, muitas delas herdadas do período colonial britânico e reforçadas por interpretações religiosas conservadoras.
Atualmente, atos sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo podem resultar em:
- Multas;
- Prisão;
- Castigos corporais, dependendo da legislação aplicada.
Além disso, autoridades frequentemente negam a existência da população LGBTQIAPN+ ou tratam a homossexualidade como um comportamento que deveria ser “corrigido”.
Países onde ser LGBTQIAPN+ ainda é crime
A situação da Malásia não é isolada. Levantamentos internacionais apontam que mais de 60 países ainda criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo.
Entre eles estão nações da:
- África;
- Oriente Médio;
- Ásia.
Países como Irã, Arábia Saudita, Nigéria, Uganda, Paquistão e Afeganistão impõem punições que vão de prisão a penas severas, incluindo prisão perpétua e pena de morte.
Repercussão e críticas internacionais
Após a declaração, entidades internacionais reforçaram que discursos oficiais desse tipo:
- Incentivam a discriminação;
- Alimentam a violência contra minorias;
- Contrariam consensos científicos e direitos humanos.
Organizações pedem que líderes políticos adotem uma postura baseada em ciência, direitos fundamentais e respeito à diversidade.

