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14 de fevereiro de 2026

Ministro afirma que estresse no trabalho pode “tornar pessoas gays”

Declaração de autoridade malaia é classificada como homofóbica por especialistas e reacende debate sobre repressão à população LGBTQIAPN+

Uma fala do ministro de Assuntos Religiosos da Malásia, Zulkifli Hasan, provocou forte repercussão internacional ao associar o estresse no ambiente de trabalho à orientação sexual. Segundo o político, condições como pressão profissional poderiam fazer com que as pessoas “virassem gays”.

A declaração foi amplamente criticada por organizações de direitos humanos, especialistas em saúde e ativistas da comunidade LGBTQIAPN+, que classificaram a fala como homofóbica e sem qualquer embasamento científico.

Ministro cita estudo sem respaldo científico

Ao justificar sua afirmação, Zulkifli Hasan mencionou um estudo de 2017, alegando que fatores como influência social, experiências pessoais e estresse profissional estariam entre as “causas” da homossexualidade.

Especialistas, no entanto, reforçam que não existe relação científica entre orientação sexual e fatores psicológicos ou ambientais, como estresse no trabalho. A orientação sexual é reconhecida como uma característica natural da diversidade humana.

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Homossexualidade não é doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou oficialmente a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID) em 1990, após amplo consenso científico de que ela não constitui transtorno, doença ou desvio comportamental.

Desde então, declarações que associam a orientação sexual a problemas psicológicos ou sociais são consideradas desinformação e contribuem para o aumento do estigma e da discriminação.

Contexto de repressão à comunidade LGBTQIAPN+ na Malásia

A fala do ministro reflete um cenário institucional mais amplo de repressão à população LGBTQIAPN+ na Malásia. O país mantém leis que criminalizam relações homoafetivas, muitas delas herdadas do período colonial britânico e reforçadas por interpretações religiosas conservadoras.

Atualmente, atos sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo podem resultar em:

  • Multas;
  • Prisão;
  • Castigos corporais, dependendo da legislação aplicada.

Além disso, autoridades frequentemente negam a existência da população LGBTQIAPN+ ou tratam a homossexualidade como um comportamento que deveria ser “corrigido”.

Países onde ser LGBTQIAPN+ ainda é crime

A situação da Malásia não é isolada. Levantamentos internacionais apontam que mais de 60 países ainda criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo.

Entre eles estão nações da:

  • África;
  • Oriente Médio;
  • Ásia.

Países como Irã, Arábia Saudita, Nigéria, Uganda, Paquistão e Afeganistão impõem punições que vão de prisão a penas severas, incluindo prisão perpétua e pena de morte.

Repercussão e críticas internacionais

Após a declaração, entidades internacionais reforçaram que discursos oficiais desse tipo:

  • Incentivam a discriminação;
  • Alimentam a violência contra minorias;
  • Contrariam consensos científicos e direitos humanos.

Organizações pedem que líderes políticos adotem uma postura baseada em ciência, direitos fundamentais e respeito à diversidade.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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