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16 de fevereiro de 2026

Vírus de origem animal entram no radar da ciência como ameaça de futuras pandemias

Pesquisadores acenderam um alerta global após identificarem vírus de origem animal que podem representar risco de futuras epidemias e até pandemias em humanos. O estudo, publicado na revista científica Emerging Infectious Diseases, ligada ao CDC dos Estados Unidos, aponta que essas ameaças circulam silenciosamente e ainda recebem pouca vigilância epidemiológica.

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De acordo com os cientistas, dois agentes preocupam especialmente: o influenza D e um coronavírus canino recombinante chamado HuPn-2018. Ambos possuem potencial de adaptação ao organismo humano e podem sofrer mutações que facilitem a transmissão entre pessoas.

Influenza D já circula amplamente entre animais

O influenza D foi identificado pela primeira vez em 2011, em porcos com sintomas respiratórios, e desde então já foi encontrado em diversos animais, incluindo bois, cervos e camelos. Embora pertença à mesma família da gripe humana, ele apresenta diferenças genéticas importantes.

Além disso, estudos indicam que o contato humano com esse vírus é frequente, principalmente entre trabalhadores rurais. Pesquisas mostraram que grande parte dessas pessoas possui anticorpos contra o agente, sinal de exposição anterior, muitas vezes sem sintomas aparentes.

Coronavírus canino preocupa por ser difícil de detectar

Outro vírus de origem animal que chama atenção é o coronavírus canino HuPn-2018. Ele foi identificado inicialmente em um paciente com pneumonia na Malásia e possui material genético derivado de vírus que circulam em cães e gatos.

Desde então, agentes semelhantes foram encontrados em pessoas com infecções respiratórias em diferentes países. O maior desafio, segundo os especialistas, é que exames laboratoriais comuns não detectam esse vírus, o que dificulta o diagnóstico e pode permitir que ele circule sem ser percebido.

Por que esses vírus preocupam a ciência

Os pesquisadores destacam que grandes pandemias recentes também começaram com vírus de origem animal, como ocorreu com a gripe H1N1 e a Covid-19. Por isso, a vigilância contínua é considerada essencial para evitar novas crises sanitárias.

Atualmente, tanto o influenza D quanto o HuPn-2018 apresentam baixa vigilância, poucos testes específicos e dados limitados sobre seu impacto real na saúde humana. Dessa forma, especialistas defendem investimentos em monitoramento, desenvolvimento de diagnósticos e pesquisas sobre a evolução desses vírus

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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