Pesquisadores acenderam um alerta global após identificarem vírus de origem animal que podem representar risco de futuras epidemias e até pandemias em humanos. O estudo, publicado na revista científica Emerging Infectious Diseases, ligada ao CDC dos Estados Unidos, aponta que essas ameaças circulam silenciosamente e ainda recebem pouca vigilância epidemiológica.
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De acordo com os cientistas, dois agentes preocupam especialmente: o influenza D e um coronavírus canino recombinante chamado HuPn-2018. Ambos possuem potencial de adaptação ao organismo humano e podem sofrer mutações que facilitem a transmissão entre pessoas.
Influenza D já circula amplamente entre animais
O influenza D foi identificado pela primeira vez em 2011, em porcos com sintomas respiratórios, e desde então já foi encontrado em diversos animais, incluindo bois, cervos e camelos. Embora pertença à mesma família da gripe humana, ele apresenta diferenças genéticas importantes.
Além disso, estudos indicam que o contato humano com esse vírus é frequente, principalmente entre trabalhadores rurais. Pesquisas mostraram que grande parte dessas pessoas possui anticorpos contra o agente, sinal de exposição anterior, muitas vezes sem sintomas aparentes.
Coronavírus canino preocupa por ser difícil de detectar
Outro vírus de origem animal que chama atenção é o coronavírus canino HuPn-2018. Ele foi identificado inicialmente em um paciente com pneumonia na Malásia e possui material genético derivado de vírus que circulam em cães e gatos.
Desde então, agentes semelhantes foram encontrados em pessoas com infecções respiratórias em diferentes países. O maior desafio, segundo os especialistas, é que exames laboratoriais comuns não detectam esse vírus, o que dificulta o diagnóstico e pode permitir que ele circule sem ser percebido.
Por que esses vírus preocupam a ciência
Os pesquisadores destacam que grandes pandemias recentes também começaram com vírus de origem animal, como ocorreu com a gripe H1N1 e a Covid-19. Por isso, a vigilância contínua é considerada essencial para evitar novas crises sanitárias.
Atualmente, tanto o influenza D quanto o HuPn-2018 apresentam baixa vigilância, poucos testes específicos e dados limitados sobre seu impacto real na saúde humana. Dessa forma, especialistas defendem investimentos em monitoramento, desenvolvimento de diagnósticos e pesquisas sobre a evolução desses vírus

