O que começou como episódios de tontura acabou revelando um diagnóstico raro e potencialmente grave. A norte-americana Daniele Gray passou anos convivendo com sintomas que não eram totalmente explicados, até descobrir uma lesão na medula espinhal causada por uma condição chamada Malformação de Chiari tipo I.
Sintomas começaram na adolescência
Em 2017, aos 13 anos, Daniele acordou sem conseguir andar. Na época, recebeu diagnóstico de transtorno neurológico funcional, condição que afeta movimentos e sensações sem alterações estruturais aparentes nos exames.
Após fisioterapia, ela voltou a caminhar. As tonturas persistiram ao longo dos anos, mas a família acreditava que o problema estava controlado.
Tudo mudou em setembro de 2025, quando, aos 20 anos, os sintomas se intensificaram.
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Piora dos sintomas e alerta de lesão na medula espinhal
Daniele passou a sentir:
- Tonturas frequentes, inclusive ao dirigir
- Dores de cabeça intensas
- Fraqueza nos braços e nas pernas
- Dores pelo corpo
Mesmo relatando os sintomas, ela sentia que não estava sendo levada a sério. Foi então que decidiu insistir por uma ressonância magnética do cérebro.
O exame revelou que parte do cérebro estava comprimindo o canal da medula espinhal — um achado compatível com a malformação de Chiari tipo I.
O que é a malformação de Chiari?
A malformação de Chiari é uma condição rara em que parte do cerebelo (região responsável pelo equilíbrio) desce em direção ao canal espinhal. Isso pode comprometer a circulação do líquido cefalorraquidiano e pressionar estruturas nervosas.
Os principais sintomas incluem:
- Dor de cabeça intensa
- Tontura
- Dor no pescoço
- Fraqueza muscular
- Dificuldade para andar
Em geral, considera-se diagnóstico quando o deslocamento é de pelo menos 5 milímetros. No caso de Daniele, a descida era de 20 milímetros, indicando um quadro grave.
Exames posteriores também identificaram um siringe um cisto com líquido dentro da medula que se estendia da vértebra cervical C6 até a torácica T1.
Cirurgia e recuperação
Diante da gravidade, Daniele buscou um neurocirurgião antes da consulta inicialmente marcada para 2026.
A cirurgia de descompressão cerebral foi realizada em 15 de dezembro. O procedimento teve como objetivo aliviar a pressão sobre o cérebro e a medula. Ela permaneceu cinco dias internada.
No início da recuperação, enfrentou:
- Rigidez intensa no pescoço
- Necessidade de usar andador por cerca de um mês
Meses depois, relata melhora gradual, menos dor e mais disposição, embora ainda esteja em processo de reabilitação.
“Se algo parece errado, insista”
Daniele passou a compartilhar sua história nas redes sociais e recebeu mensagens de pessoas que também enfrentam dificuldades para ter seus sintomas levados a sério.
O alerta que ela deixa é claro. “se você sente que algo não está certo, lute por respostas.”
O caso reforça a importância de investigar sintomas persistentes como tontura e dor de cabeça intensa, especialmente quando há piora progressiva. Diagnósticos precoces podem evitar complicações e melhorar o prognóstico.

