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21 de fevereiro de 2026

Tatiana Sampaio: cientista brasileira inventa vacina que pode curar tetraplégicos

A polilaminina tornou-se o centro de um dos avanços mais promissores da ciência brasileira nos últimos anos. Essa molécula inovadora atua reorganizando o tecido nervoso lesionado, criando um ambiente biológico que estimula os neurônios a reconectarem os circuitos interrompidos após uma lesão na medula espinhal.

Estudos preliminares em humanos já indicam que pacientes com perda de movimentos conseguiram recuperar funções motoras depois do tratamento experimental. A substância foi criada pela bióloga Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após mais de duas décadas de pesquisa nas áreas de biologia regenerativa e matriz extracelular

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Ela desenvolveu a polilaminina a partir da proteína laminina, encontrada na placenta humana, e cuja forma polimerizada favorece a regeneração neural em áreas lesionadas.

Como a polilaminina age na regeneração neural

A polilaminina age como um “andaime biológico” no local da lesão. Ao ser aplicada diretamente na medula espinhal, a estrutura tridimensional da molécula fornece suporte físico e químico que favorece o crescimento axonal e a reconexão entre neurônios que perderam contato após o trauma. Essa capacidade de criar um microambiente regenerativo contrasta com tratamentos convencionais, que até então não conseguiam estimular a reconexão nervosa depois de lesões completas.

Além disso, a polilaminina reduz a morte celular e controla processos inflamatórios que dificultam a recuperação natural do tecido nervoso, uma vez que as cicatrizes gliais formadas após o trauma normalmente bloqueiam tentativas de regeneração. Essa combinação de efeitos tornou a molécula objeto de intensa pesquisa e esperança para pacientes com paralisia.

Resultados iniciais e evolução dos testes clínicos

Os primeiros ensaios com polilaminina indicam resultados animadores. Em protocolos experimentais realizados em humanos, pacientes com lesões medulares completas receberam a substância nos primeiros dias após o trauma e apresentaram melhora significativa dos movimentos voluntários e sensibilidade. Testes em animais, como em cães paraplégicos, também mostraram recuperação funcional sem efeitos adversos graves.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a fase 1 de testes clínicos, voltada à avaliação da segurança da polilaminina em humanos. Essa etapa é fundamental para ampliar as pesquisas, com aplicação cirúrgica intramedular em voluntários selecionados, e representa um passo essencial para transformar os achados iniciais em terapias acessíveis.

Desafios, parcerias e impacto científico

Apesar dos resultados promissores, a trajetória da polilaminina enfrentou desafios significativos. Cortes nos orçamentos das universidades públicas impediram o Brasil de manter a patente internacional da tecnologia, abrindo caminho para que outros países ou empresas explorem comercialmente a descoberta. Ainda assim, a parceria entre a UFRJ, a FAPERJ e o laboratório farmacêutico Cristália tem sido crucial para padronizar e industrializar a molécula.

O impacto científico e social dessa pesquisa já rendeu reconhecimento institucional e trouxe visibilidade à neurociência brasileira. Caso os testes clínicos avancem com sucesso nas próximas fases, a polilaminina poderá redefinir o tratamento de lesões medulares em âmbito global, oferecendo novas possibilidades de recuperação para milhões de pessoas que hoje vivem com sequelas permanentes.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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