A polilaminina ganhou destaque nas redes sociais após relatos de pacientes em reabilitação que apresentaram melhora de movimentos. No entanto, especialistas reforçam: o tratamento ainda está em fase inicial de testes e não há comprovação científica de eficácia até o momento.
O composto foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da bióloga Tatiana Coelho Sampaio, com foco na recuperação de lesões da medula espinhal.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é um composto derivado da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano e fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a laminina participa de processos biológicos importantes e está presente em diferentes espécies, inclusive em humanos.
No medicamento experimental, a proteína é preparada em forma injetável e aplicada diretamente na região da medula lesionada.
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Como funciona o tratamento?
A proposta da polilaminina é estimular a regeneração das células nervosas lesionadas, o que pode contribuir para a recuperação parcial ou total dos movimentos em pessoas com trauma raquimedular.
O protocolo inclui:
- Aplicação única da substância, geralmente nas primeiras 24 a 72 horas após a lesão
- Administração direta na área afetada da coluna
- Fisioterapia intensiva como parte da reabilitação
A proteína utilizada é extraída da placenta humana e passa por preparo específico antes da aplicação.
Pesquisa está na fase 1
Em janeiro, a Anvisa autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos.
Nesta etapa, o foco principal é avaliar:
✔️ Segurança do tratamento
✔️ Possíveis efeitos adversos
✔️ Riscos envolvidos
Importante: a fase 1 não tem como objetivo comprovar eficácia, mas verificar se o método pode avançar para fases posteriores.
Os critérios atuais incluem pacientes entre 18 e 72 anos, com lesão medular torácica recente (menos de 72 horas) e indicação cirúrgica.
O que já foi observado?
Testes laboratoriais e estudos preliminares com animais e um grupo restrito de pacientes mostraram recuperação de movimentos em alguns casos. Esses resultados impulsionaram a continuidade das pesquisas.
Entretanto, especialistas reforçam que ainda não é possível afirmar que a melhora ocorreu exclusivamente por causa da polilaminina. A comprovação dependerá dos resultados das próximas fases clínicas e da análise dos órgãos reguladores.
A polilaminina representa uma linha promissora de pesquisa na medicina regenerativa brasileira, mas ainda está em fase inicial de avaliação.
Somente após a conclusão dos estudos clínicos e eventual aprovação regulatória será possível confirmar sua eficácia e disponibilização como tratamento para lesão medular.

