A conta de luz pode voltar a assustar os brasileiros em 2026. Depois de ter pesado no orçamento no ano passado, a energia elétrica novamente aparece como um dos principais riscos para a inflação.
Projeções de consultorias e bancos indicam que o reajuste pode variar entre 5,1% e 7,95%. Em um cenário climático adverso, a alta pode chegar perto de 12%, superando o IPCA.
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O principal fator por trás dessa pressão é a dependência das hidrelétricas. O Brasil ainda gera grande parte da sua energia a partir da água armazenada nos reservatórios. Se o volume cair durante o período seco, o custo de geração sobe.
Clima pode influenciar a conta de luz
A possível transição do fenômeno La Niña para El Niño aumenta a incerteza.
O El Niño tende a reduzir as chuvas em regiões estratégicas, como Norte e Nordeste. Com menos água nos reservatórios, o sistema precisa acionar usinas termelétricas, que produzem energia mais cara.
Quando isso acontece, entram em cena as bandeiras tarifárias, verde, amarela e vermelha (patamares 1 e 2). Elas funcionam como um alerta de custo imediato ao consumidor.
A projeção de mercado considera bandeira amarela no fim do ano. No entanto, se o sistema operar sob bandeira vermelha patamar 2, o reajuste pode chegar a dois dígitos.
O impacto na inflação
No ano passado, entre junho e novembro, os consumidores enfrentaram bandeiras vermelhas. A energia residencial acumulou alta de 12,31%.
O resultado foi direto no bolso: a conta de luz se tornou o item de maior impacto individual no IPCA, que fechou em 4,26%.
Subsídios elevam a pressão estrutural
Além do clima, há um fator estrutural: os encargos setoriais.
Em 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios financiados principalmente pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Esses valores são incorporados à tarifa.
Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, nos últimos 15 anos a conta de luz subiu 177%, enquanto a inflação acumulada foi de 122%.
Já a Agência Nacional de Energia Elétrica aponta que o custo do megawatt-hora atingiu R$ 786,76, o maior valor desde 2011.
Energia limpa desperdiçada
Outro problema é o descompasso entre oferta e demanda.
O Brasil ampliou fortemente sua geração eólica e solar. Porém, a transmissão e o consumo não cresceram no mesmo ritmo.
Para manter a estabilidade do sistema, o Operador Nacional do Sistema Elétrico interrompe, em alguns momentos, a produção de energia renovável. Estimativas privadas indicam que cerca de 20% da energia limpa potencial foi descartada no ano passado.
Ou seja, o país enfrenta três pressões ao mesmo tempo: paga caro quando falta água, financia subsídios na tarifa e ainda convive com desperdício de energia.

