A Cotribá decidiu desistir do processo de recuperação judicial e abriu uma nova fase em sua tentativa de superar a maior crise financeira de sua história. A cooperativa gaúcha enfrenta um passivo bilionário, mudanças na gestão e forte pressão de credores, o que levou à revisão da estratégia.
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Fundada em 1911 e considerada a cooperativa agropecuária mais antiga do Brasil, a entidade tem sede em Ibirubá e reúne milhares de produtores rurais. Nos últimos meses, porém, o cenário se deteriorou rapidamente, levando a decisões urgentes para preservar a operação e evitar insolvência.
Crise financeira e desistência da recuperação judicial
A Cotribá decidiu interromper a tutela cautelar que preparava o pedido de recuperação judicial. A mudança ocorreu após instabilidade administrativa, disputas jurídicas e pressões de credores, que questionavam o processo na Justiça gaúcha.
Além disso, a cooperativa acumula uma dívida superior a R$ 1 bilhão, resultado de dificuldades de caixa, prejuízos recentes e queda de resultados financeiros. Esse cenário intensificou a necessidade de medidas imediatas para garantir liquidez e manter as atividades.
Por outro lado, a desistência não significa o fim da reestruturação. Pelo contrário, a direção afirma que busca alternativas fora do Judiciário, com foco na renegociação direta com credores e na preservação do modelo cooperativo.
Estratégia de recuperação e impactos nas operações
Para enfrentar a crise, a Cotribá adotou ações como venda de ativos e redução de operações. Entre as medidas, está a negociação de unidades e armazéns para gerar recursos e equilibrar o caixa.
Além disso, a cooperativa enfrenta reflexos práticos no dia a dia, como abastecimento irregular em supermercados e redução da produção industrial devido à escassez de insumos agrícolas.
Outro ponto importante é a tentativa de atrair investimentos. A entidade negocia a entrada de um investidor estrangeiro, que poderia injetar bilhões e ajudar na modernização das unidades e na quitação do passivo.
Mesmo diante das dificuldades, a Cotribá afirma que pretende preservar os empregos e proteger os interesses de seus cerca de 9,5 mil associados.
Histórico da crise e desafios futuros
A crise da cooperativa se agravou após anos de expansão e queda no desempenho financeiro. O caixa despencou, e o endividamento cresceu, impulsionado por prejuízos e redução do resultado operacional.
Além disso, produtores associados relataram atrasos em pagamentos, o que aumentou a pressão interna e a necessidade de mudanças na governança.
Agora, a entidade tenta reorganizar sua estrutura financeira sem recorrer à recuperação judicial. O desafio será recuperar a confiança do mercado, renegociar dívidas e manter a sustentabilidade das operações no longo prazo.

