Mulher confunde sintomas do AVC com lente de contato defeituosa ao perceber que não estava enxergando bem com o olho direito durante um voo de Boston para Atenas. O que parecia um simples problema oftalmológico era, na verdade, o primeiro sinal de um quadro grave.
Menos de 24 horas depois, o lado direito do corpo de Angeliki Asimaki ficou paralisado. No hospital, veio o diagnóstico: ela havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O que aconteceu com Angeliki?
Na época com 26 anos, Angeliki acreditava que a lente de contato estava com defeito. A perda parcial da visão, no entanto, era consequência do rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, impedindo a chegada adequada de oxigênio às células cerebrais.
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Ela conseguiu recuperar cerca de 75% da visão após o tratamento, mas a causa do AVC só seria descoberta anos depois.
Desde a adolescência, Angeliki já tinha diagnóstico de bloqueio cardíaco completo intermitente um problema elétrico que afeta os batimentos do coração. Ela chegou a desmaiar várias vezes ao dia e precisou implantar um marca-passo.
Durante a troca do dispositivo, médicos identificaram um defeito estrutural: um buraco entre as câmaras superiores do coração, conhecido como defeito do septo atrial (ASD). Esse tipo de alteração pode facilitar a formação ou passagem de coágulos que chegam ao cérebro, aumentando o risco de AVC.
Após a descoberta, ela passou por cirurgia cardíaca aberta para correção do problema.
Sintomas de AVC que não devem ser ignorados
O caso reforça a importância de reconhecer sinais de alerta. Entre os principais sintomas de AVC estão:
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
- Boca torta;
- Fala enrolada ou dificuldade para se expressar;
- Tontura e perda de equilíbrio;
- Perda súbita ou parcial da visão;
- Dor de cabeça intensa e repentina.
Ao apresentar qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico imediato. O tempo é decisivo para reduzir sequelas.
De paciente a pesquisadora
Depois da recuperação, Angeliki decidiu transformar a experiência em propósito. Ela fez doutorado em medicina cardiovascular na University College London, trabalhou na Harvard Medical School e atualmente atua como pesquisadora no City St George’s, University of London.
Parte de suas pesquisas é financiada pela British Heart Foundation, onde desenvolve estudos voltados à identificação precoce de doenças cardíacas.
A história mostra que o AVC não é uma condição exclusiva de idosos. Jovens também podem ser afetados, especialmente quando há problemas cardíacos estruturais ou elétricos não diagnosticados.
O caso em que mulher confunde sintomas do AVC com lente de contato defeituosa serve de alerta: alterações repentinas na visão ou na força muscular nunca devem ser ignoradas.

