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25 de fevereiro de 2026

Vacina em spray nasal promete proteção contra Covid, gripe e pneumonia por até 3 meses

Pesquisa liderada pela Universidade de Stanford testa spray nasal inovador que protege camundongos contra vírus e bactérias respiratórias

A vacina em spray nasal pode representar um novo capítulo no combate às infecções respiratórias. Desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Stanford, a fórmula experimental demonstrou, em testes com camundongos, proteção contra vírus como o SARS-CoV-2 e bactérias associadas à pneumonia por até três meses.

Diferente das vacinas tradicionais, que utilizam antígenos específicos de um patógeno, a nova abordagem aposta na ativação simultânea de dois pilares do sistema imunológico: a imunidade inata e a adaptativa. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science.

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Como funciona a nova tecnologia

A fórmula combina dois adjuvantes, substâncias que potencializam a resposta imune — com a ovalbumina, proteína presente na clara do ovo. Em vez de treinar o organismo para reconhecer um vírus específico, o spray cria um estado de alerta amplo e duradouro nas vias respiratórias.

Quando aplicado no nariz, o composto estimula macrófagos nos pulmões, que passam a agir como sentinelas reforçadas. Essas células englobam invasores e enviam sinais às células T, responsáveis pela resposta adaptativa. A ovalbumina funciona como um “alvo inofensivo”, ativando as células T sem causar doença.

Essa interação mantém o sistema imunológico preparado por mais tempo. Segundo os pesquisadores, tentativas anteriores que estimulavam apenas a imunidade inata ofereciam proteção de curta duração, cerca de um mês. Com a nova estratégia, a resistência foi estendida para pelo menos três meses.

Proteção ampla contra vírus e bactérias

Nos experimentos, os camundongos vacinados mantiveram peso e boa condição de saúde mesmo após exposição a variantes de coronavírus e à bactéria Staphylococcus aureus, uma das principais causas de infecções hospitalares. Já o grupo não imunizado apresentou sinais de doença e maior inflamação pulmonar.

No meio das análises, a vacina em spray nasal mostrou potencial de atuar como uma espécie de “chave mestra” imunológica, protegendo contra diferentes agentes respiratórios sem depender de um antígeno específico.

A proposta rompe com o modelo clássico de vacinação, que desenvolve imunizantes direcionados a cada vírus ou bactéria. A longo prazo, a equipe pretende substituir a proteína do ovo por componentes do próprio coronavírus, tornando a resposta ainda mais direcionada.

Inspiração na vacina BCG

A ideia surgiu a partir de pesquisas sobre os efeitos amplos da BCG, usada contra tuberculose. Estudos anteriores já indicavam que a BCG poderia oferecer proteção cruzada contra outras infecções respiratórias, graças à chamada “imunidade inata treinada”.

Pesquisas publicadas em 2023 pela mesma equipe mostraram que células T ajudam a manter macrófagos em estado prolongado de ativação por meio da liberação de citocinas moléculas sinalizadoras do sistema imune.

Essa cooperação parece ser o segredo da proteção estendida observada na nova formulação nasal.

Quando a vacina pode chegar aos humanos?

Até o momento, os testes foram realizados apenas em animais. Ensaios clínicos em humanos ainda não começaram. No entanto, os pesquisadores vislumbram um cenário futuro em que um simples spray aplicado no outono poderia proteger contra covid-19, gripe, vírus sincicial respiratório, resfriado comum e até pneumonia bacteriana.

Se os resultados forem confirmados em humanos, a vacina em spray nasal poderá se tornar uma estratégia inovadora para ampliar a defesa coletiva contra doenças respiratórias sazonais, com aplicação simples, não invasiva e potencialmente universal.

Com novas fases de pesquisa previstas, a expectativa científica é de que a vacina em spray nasal avance como uma alternativa promissora na prevenção de múltiplas infecções ao mesmo tempo.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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