O setor de Centros de Formação de Condutores (CFCs) enfrenta um momento de grande turbulência após a implementação das novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Com a flexibilização do processo e redução da carga horária obrigatória, cerca de 2 mil demissões nos CFCs já foram registradas no Rio Grande do Sul, refletindo o impacto direto das mudanças.
LEIA TAMBÉM:
- Concursos públicos no RS abrem 278 vagas com salários de até R$ 14 mil
- Calçadista gaúcha prepara expansão com nova fábrica e promete gerar 800 empregos
- Banco do Brasil anuncia novo concurso público em 2026 com salários de até R$ 8 mil
As demissões aconteceram rapidamente após a entrada em vigor das novas normas, que alteraram profundamente o modelo tradicional de ensino para motoristas. Especialistas e representantes do setor afirmam que, além de cortes no quadro de funcionários, a incerteza sobre o modelo de formação de condutores coloca em risco a sustentabilidade de muitas autoescolas tradicionais.
Como as novas regras da CNH provocaram demissões nos CFCs
As alterações foram estabelecidas pela Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que simplificou o processo de habilitação ao reduzir a carga horária mínima de aulas práticas e permitir métodos alternativos de formação.
Com isso, muitos CFCs precisaram cortar custos e demitiram instrutores práticos, teóricos e diretores de ensino. Segundo dados do setor, o número total de trabalhadores desligados pode chegar a até 2,5 mil no estado, representando uma redução significativa no quadro de colaboradores.
Impactos no mercado de trabalho e formação de condutores
A redução das exigências tradicionais — como aulas teóricas presenciais e carga horária extensa — trouxe uma nova dinâmica ao mercado. Por um lado, o processo fica mais barato e acessível aos candidatos à CNH. Por outro, as autoescolas enfrentam dificuldades para se manter financeiramente com menos procura e menos serviços obrigatórios.
O presidente de um sindicato de CFCs afirma que muitos profissionais perderam seus empregos e que a tendência é que o número de demissões continue a crescer à medida que o setor se adapta às novas regras. A incerteza no segmento preocupa tanto trabalhadores quanto gestores de autoescolas.
Queda de habilitações e cenário futuro incerto
Além das demissões nos CFCs, os dados apontam para uma queda no número de novos habilitados em algumas regiões, enquanto muitos candidatos optam por aguardar as mudanças antes de iniciar o processo de habilitação. Isso acaba gerando um efeito misto no mercado: menos trabalho para os CFCs, mas também possível represamento de demanda.
Analistas ressaltam que o futuro dos CFCs dependerá da capacidade de adaptação das autoescolas e da resposta do mercado às novas formas de habilitação, que incluem etapas digitais e maior participação de instrutores autônomos.

