O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais está processando a TV Globo por causa da pronúncia da palavra “recorde”.
O caso ganhou repercussão após o procurador da República Cléber Eustáquio Neves pedir indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, alegando que a emissora estaria difundindo de forma reiterada a pronúncia considerada incorreta: “RÉ-corde”.
LEIA TAMBÉM:
- Elevação da Trensurb em Canoas ganha apoio em Brasília e pode sair do papel
- Pé-de-Meia 2026 começa a pagar R$ 1.000 para estudantes; veja quem recebe
- INSS faz pausa e muda data de pagamentos
Segundo a ação, a forma adequada na norma culta seria reCORde, com tonicidade na sílaba “cor” e sem acento gráfico.
Dizer “récorde” pode dar multa? MPF processa Globo e pede R$ 10 milhões: o que motivou a ação?
De acordo com o MPF, a palavra “recorde” é paroxítona. A pronúncia proparoxítona (“récorde”), comum em transmissões esportivas, seria um erro de prosódia.
Para sustentar o pedido, foram anexados trechos de programas como:
- Jornal Nacional
- Globo Esporte
- Globo Rural
Em um dos exemplos citados na ação, aparece a pronúncia utilizada pelo jornalista César Tralli.
Por que o MPF cobra R$ 10 milhões?
O procurador argumenta que, por operar concessão pública de radiodifusão, a Globo tem dever constitucional de observar a norma culta da língua portuguesa.
A ação menciona:
- O artigo 221 da Constituição Federal, que trata da finalidade educativa e informativa das emissoras;
- O artigo 37, §6º, sobre responsabilidade civil;
- O artigo 216, que classifica a língua portuguesa como patrimônio cultural imaterial.
Segundo o MPF, a repetição da pronúncia considerada equivocada comprometeria o direito difuso da coletividade e causaria dano ao patrimônio cultural imaterial.
Além da indenização milionária, o órgão pede que a emissora seja obrigada a adequar a pronúncia em telejornais e transmissões.
Afinal, o certo é “recorde” ou “récorde”?
O debate não é novo.
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, registra apenas “recorde”, sem acento gráfico.
Gramáticos como:
- Napoleão Mendes de Almeida
- Luiz Antônio Sacconi
- Arnaldo Niskier
defendem que a pronúncia correta, segundo a norma culta, é reCORde, e não “récorde”, forma considerada influência do inglês.
Apesar disso, a versão “récorde” é amplamente usada no dia a dia e em transmissões esportivas, o que mantém a polêmica viva.
Agora, caberá à Justiça Federal decidir se a discussão linguística pode, de fato, resultar em condenação milionária.

