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01 de março de 2026

Dizer “récorde” pode dar multa? MPF processa Globo e pede R$ 10 milhões

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra a TV Globo por causa da pronúncia da palavra “recorde”.

O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais está processando a TV Globo por causa da pronúncia da palavra “recorde”.

O caso ganhou repercussão após o procurador da República Cléber Eustáquio Neves pedir indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, alegando que a emissora estaria difundindo de forma reiterada a pronúncia considerada incorreta: “RÉ-corde”.

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Segundo a ação, a forma adequada na norma culta seria reCORde, com tonicidade na sílaba “cor” e sem acento gráfico.

Dizer “récorde” pode dar multa? MPF processa Globo e pede R$ 10 milhões: o que motivou a ação?

De acordo com o MPF, a palavra “recorde” é paroxítona. A pronúncia proparoxítona (“récorde”), comum em transmissões esportivas, seria um erro de prosódia.

Para sustentar o pedido, foram anexados trechos de programas como:

  • Jornal Nacional
  • Globo Esporte
  • Globo Rural

Em um dos exemplos citados na ação, aparece a pronúncia utilizada pelo jornalista César Tralli.

Por que o MPF cobra R$ 10 milhões?

O procurador argumenta que, por operar concessão pública de radiodifusão, a Globo tem dever constitucional de observar a norma culta da língua portuguesa.

A ação menciona:

  • O artigo 221 da Constituição Federal, que trata da finalidade educativa e informativa das emissoras;
  • O artigo 37, §6º, sobre responsabilidade civil;
  • O artigo 216, que classifica a língua portuguesa como patrimônio cultural imaterial.

Segundo o MPF, a repetição da pronúncia considerada equivocada comprometeria o direito difuso da coletividade e causaria dano ao patrimônio cultural imaterial.

Além da indenização milionária, o órgão pede que a emissora seja obrigada a adequar a pronúncia em telejornais e transmissões.

Afinal, o certo é “recorde” ou “récorde”?

O debate não é novo.

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, registra apenas “recorde”, sem acento gráfico.

Gramáticos como:

  • Napoleão Mendes de Almeida
  • Luiz Antônio Sacconi
  • Arnaldo Niskier

defendem que a pronúncia correta, segundo a norma culta, é reCORde, e não “récorde”, forma considerada influência do inglês.

Apesar disso, a versão “récorde” é amplamente usada no dia a dia e em transmissões esportivas, o que mantém a polêmica viva.

Agora, caberá à Justiça Federal decidir se a discussão linguística pode, de fato, resultar em condenação milionária.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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