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05 de março de 2026

RS lidera crimes de feminicídios no Sul do Brasil, aponta pesquisa

RS lidera feminicídios no Sul do Brasil e números revelados em nova pesquisa acendem alerta sobre violência contra mulheres.

Um novo levantamento divulgado nesta semana trouxe um alerta importante sobre a violência contra mulheres no país. Os dados mostram que os casos continuam elevados e apresentam crescimento nos últimos anos.

A pesquisa foi publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública durante a semana do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O estudo analisa dados de feminicídios registrados no Brasil entre 2021 e 2025.

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RS lidera feminicídios na Região Sul

De acordo com o levantamento, o Rio Grande do Sul lidera os casos de feminicídio na Região Sul no período analisado.

Entre 2021 e 2025, o estado registrou 444 assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero, o equivalente a 38,8% de todas as mortes da região.

Na comparação com os outros estados do Sul:

  • Paraná teve 429 casos
  • Santa Catarina registrou 272 ocorrências

Considerando o tamanho da população feminina, Rio Grande do Sul e Paraná tiveram índice semelhante, com cerca de 1,4 feminicídio a cada 100 mil mulheres em 2025, enquanto Santa Catarina registrou 1,3 caso por 100 mil mulheres.

Violência acontece principalmente dentro de casa

O estudo também revela um padrão recorrente nos crimes. Na maioria das situações, os assassinatos acontecem dentro da própria residência da vítima e são cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

Outro dado preocupante aponta que mulheres negras representam 62,6% das vítimas de feminicídio no país.

Além disso, facas e machados aparecem entre os instrumentos mais utilizados nesses crimes.

Metade dos casos ocorre em cidades pequenas

A pesquisa indica ainda que 50% dos feminicídios registrados aconteceram em municípios com menos de 100 mil habitantes.

Essas cidades geralmente possuem menos estrutura de atendimento, como delegacias especializadas ou abrigos de proteção para mulheres vítimas de violência.

Desde que o feminicídio passou a ser considerado crime específico na legislação brasileira, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas por razões de gênero no país.

Prevenção depende de políticas públicas e educação

Especialistas apontam que o combate ao feminicídio exige ações em diferentes frentes. Entre elas estão o fortalecimento da rede de proteção às vítimas, fiscalização de medidas protetivas e programas educativos para enfrentar a cultura de violência contra mulheres.

A socióloga Samira Bueno, representante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que a prevenção passa por um esforço coletivo da sociedade.

Segundo ela, é fundamental ampliar políticas públicas de proteção, melhorar a identificação desses crimes e investir em educação para combater padrões culturais que naturalizam a violência de gênero.

Como pedir ajuda

Se a violência estiver acontecendo

Brigada Militar – 190
O atendimento funciona 24 horas em todo o estado.

Polícia Civil
A vítima pode registrar ocorrência em qualquer delegacia, preferencialmente na Delegacia da Mulher.

Delegacia Online
Também é possível registrar o caso pela internet e solicitar medidas protetivas.

Central de Atendimento à Mulher – 180
Serviço nacional gratuito e disponível 24 horas para denúncias e orientação.

Defensoria Pública – 0800-644-5556
Oferece orientação jurídica gratuita.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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