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09 de março de 2026

Artigo sobre Polilaminina continha erros: pesquisadora diz que corrigirá estudo sobre testes em humanos

A pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou no último sábado (7) que fará correções no artigo científico que apresenta os primeiros testes em humanos com polilaminina. A substância vem sendo investigada como possível tratamento para lesões na medula espinhal.

Em entrevista ao portal G1, Sampaio explicou que a nova versão do estudo terá ajustes técnicos e mudanças na apresentação dos resultados. O trabalho foi divulgado inicialmente em fevereiro de 2024 como pré-print, formato preliminar de publicação científica que antecede a revisão por pares.

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Polilaminina foi testada em pacientes com lesão na medula

A pesquisa conduzida na UFRJ analisou os efeitos da polilaminina em oito pacientes humanos. Os testes começaram em 2018 e fazem parte de um estudo que vem sendo desenvolvido há cerca de duas décadas.

De acordo com os dados divulgados, quatro pacientes apresentaram melhora parcial após o tratamento. Além disso, um participante teve recuperação total dos movimentos. Por outro lado, três pacientes morreram durante o período de acompanhamento.

O caso que mais chamou atenção foi o de Bruno Drummond. Ele sofreu uma lesão cervical completa em um acidente de carro e participou do estudo experimental. Segundo relatos divulgados no início de 2026, Drummond voltou a andar após o tratamento, o que aumentou a repercussão do estudo sobre polilaminina.

Correções no artigo científico

Tatiana Sampaio afirmou que o pré-print original apresentou problemas de redação e falhas na apresentação de alguns dados. Por isso, a equipe decidiu revisar o material antes de tentar nova publicação em revistas científicas.

Um dos erros apontados envolve um gráfico do estudo. Nele, informações de um paciente que morreu cinco dias após o procedimento apareciam como se houvesse acompanhamento por cerca de 400 dias.

Segundo a pesquisadora, o problema ocorreu por um erro de digitação.

A primeira versão corrigida do artigo já foi submetida a periódicos científicos, como a editora Springer Nature e o Journal of Neurosurgery. No entanto, os veículos rejeitaram o trabalho. Agora, a equipe prepara uma nova versão do estudo para submissão.

Sampaio também afirmou que o texto revisado não será divulgado publicamente antes de ser aceito por uma revista científica.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma versão sintetizada em laboratório da laminina, proteína presente no corpo humano. Essa molécula aparece em grande quantidade durante a fase embrionária e pode ser extraída de placentas.

Na prática, a laminina participa da organização e do crescimento de tecidos neuronais. Ela atua principalmente na formação dos axônios, estruturas responsáveis por transmitir impulsos elétricos entre neurônios ou entre neurônios e músculos.

Quando ocorre uma lesão na medula espinhal, essas conexões são interrompidas. Como resultado, o fluxo de sinais elétricos deixa de chegar aos músculos e a comunicação entre partes do corpo fica comprometida.

A proposta do tratamento com polilaminina é justamente restaurar essas conexões. Se a eficácia for comprovada, a substância poderá ser aplicada diretamente no local da lesão para recriar a ligação entre neurônios localizados acima e abaixo do ponto afetado.

Assim, os impulsos elétricos voltariam a circular, o que poderia restabelecer movimentos e sensações como dor, temperatura e toque.

Estudo ainda está em fase inicial

Apesar da repercussão, o tratamento com polilaminina ainda está em estágio inicial de desenvolvimento. O medicamento não possui registro definitivo e segue em fase 1 de estudo clínico.

Essa etapa foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 5 de janeiro deste ano.

Pacientes interessados no tratamento têm recorrido à Justiça para tentar acesso ao procedimento experimental.

Rafael Cardoso
Rafael Cardoso
Redator, escreve diariamente sobre cotidiano, bem-estar, comportamento, saúde e benefícios.
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