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09 de março de 2026

Estudo aponta proteção duradoura da vacina contra dengue

Pesquisa com mais de 16 mil voluntários mostra eficácia de 65% contra casos sintomáticos e mais de 80% contra formas graves da doença

Uma nova análise sobre a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan indica que o imunizante continua protegendo contra a doença por pelo menos cinco anos após a aplicação.

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Medicine e avaliou a resposta da vacina ao longo do tempo. Os resultados mostram que uma única dose mantém proteção significativa, principalmente contra as formas mais graves da infecção.

O estudo acompanhou mais de 16 mil voluntários entre 2 e 59 anos.

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Eficácia da vacina contra dengue

Após cinco anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram:

  • 65% de eficácia contra casos sintomáticos de dengue confirmados por exames
  • 80,5% de proteção contra formas graves da doença

Os dados reforçam o potencial da vacina como ferramenta importante para reduzir hospitalizações e complicações da doença.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o acompanhamento prolongado é essencial para avaliar a segurança da vacina.

“Uma característica da dengue é que a segunda infecção costuma ser mais grave que a primeira. Por isso é importante garantir que a vacina não aumente esse risco”, explicou o especialista.

Comparação com outra vacina contra dengue

Esse tipo de monitoramento já havia sido realizado com a vacina Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda.

Nos estudos, pesquisadores analisaram se o imunizante poderia aumentar o risco de dengue grave em pessoas vacinadas — algo que não foi observado.

Agora, os novos dados indicam que o mesmo perfil de segurança também se aplica à vacina desenvolvida pelo Butantan.

Eficácia varia conforme histórico de dengue

A pesquisa também analisou a proteção entre pessoas que já tiveram dengue e aquelas que nunca foram infectadas:

  • 77,1% de eficácia em pessoas com infecção prévia
  • 58,9% de eficácia em participantes sem histórico da doença

Esses resultados mostram que o imunizante apresenta benefícios em diferentes perfis de população.

Desafio dos diferentes sorotipos da dengue

A dengue é causada por quatro sorotipos do vírus, conhecidos como DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Durante o estudo realizado no Brasil, circularam principalmente DENV-1 e DENV-2, o que significa que ainda não foi possível confirmar totalmente a eficácia da vacina contra os outros dois tipos.

Novas pesquisas em andamento em outros países devem ajudar a esclarecer essa questão nos próximos anos.

Vacinação não substitui combate ao mosquito

Mesmo com o avanço das vacinas, especialistas destacam que o controle do mosquito transmissor continua essencial.

A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se prolifera principalmente em locais com água parada.

Por isso, autoridades de saúde reforçam que combinar vacinação com medidas de prevenção, como eliminar criadouros do mosquito, é fundamental para reduzir os casos de dengue.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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