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29 de março de 2026

Prova do Detran muda regras e elimina falta eliminatória no exame de direção

A prova do Detran passou por mudanças importantes com a atualização das regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A nova legislação alterou o sistema de avaliação do exame prático e eliminou a chamada “falta eliminatória”, que antes provocava reprovação automática do candidato.

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A mudança faz parte das atualizações previstas na Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que reformulou diversos pontos do processo de habilitação no Brasil. Entre as novidades, estão critérios diferentes de pontuação na prova prática e novas formas de avaliação do desempenho do candidato ao volante.

Como funcionava a prova do Detran antes da mudança

Durante muitos anos, a prova do Detran seguia um modelo rígido de avaliação. Nesse sistema, o candidato era reprovado automaticamente ao cometer uma chamada falta eliminatória, como avançar um sinal de parada obrigatória, subir no meio-fio ou invadir a contramão durante o exame.

Além disso, o candidato também era considerado reprovado caso ultrapassasse o limite de três pontos negativos. Nesse modelo, faltas graves somavam três pontos, faltas médias valiam dois e faltas leves contabilizavam um ponto negativo. Assim, bastava um erro grave ou algumas infrações menores para resultar em reprovação imediata.

Esse formato sempre gerou críticas de candidatos e especialistas, principalmente porque o nervosismo durante o exame frequentemente levava a erros pontuais que resultavam em reprovação automática.

Novo sistema de avaliação da prova do Detran

Com as novas regras, a prova do Detran passa a utilizar um sistema de pontuação diferente. Agora, o candidato inicia o exame com zero pontos e, conforme comete infrações, recebe pontuações negativas proporcionais à gravidade da falta.

Nesse modelo, o limite máximo para aprovação é de 10 pontos negativos. Cada infração recebe um peso específico: faltas leves valem um ponto, faltas médias dois pontos, faltas graves quatro pontos e infrações gravíssimas podem chegar a seis pontos.

Na prática, isso significa que o candidato pode cometer alguns erros durante o exame e ainda assim ser aprovado, desde que não ultrapasse o limite total de pontos estabelecido.

O que muda na prática para quem vai tirar a CNH

A principal mudança na prova do Detran é que um erro isolado não provoca mais reprovação automática. Dessa forma, o sistema passa a avaliar o desempenho geral do candidato ao longo do exame de direção.

Por exemplo, um candidato pode cometer uma infração gravíssima — equivalente a seis pontos — e ainda ser aprovado, caso o total de erros não ultrapasse o limite permitido. Em outras situações, também é possível combinar erros leves ou médios sem que isso leve automaticamente à reprovação.

Especialistas apontam que a alteração busca tornar o processo de habilitação menos punitivo e mais focado na avaliação real das habilidades do motorista. No entanto, alguns profissionais da área de educação no trânsito criticam a flexibilização, argumentando que ela pode reduzir o rigor na formação de novos condutores.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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