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14 de março de 2026

El Niño pode voltar em 2026: chance chega a 80% e aumenta risco de chuva excessiva no RS

El Niño pode voltar com força em 2026 e atingir diretamente o RS. Especialistas já falam em chuvas e cheias; entenda o que pode acontecer.

A possibilidade de formação do El Niño voltou a crescer e já acende um alerta para mudanças no clima do Sul do Brasil. Novas projeções indicam que o fenômeno climático pode se formar ainda em 2026, o que costuma provocar impactos diretos no regime de chuvas do Rio Grande do Sul.

De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a probabilidade de desenvolvimento do El Niño no Oceano Pacífico ultrapassa 80% durante o segundo semestre de 2026. A atualização foi divulgada pelo Climate Prediction Center (CPC) e aponta que o aquecimento das águas do Pacífico pode se consolidar entre o inverno e a primavera.

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Atualmente, o Pacífico Equatorial ainda permanece em condição de neutralidade. No entanto, os modelos climáticos indicam que esse cenário deve mudar gradualmente nos próximos meses, aumentando as chances de ocorrência do El Niño.

Probabilidade de El Niño cresce ao longo do ano

Segundo os meteorologistas, o oceano deve permanecer neutro durante grande parte do primeiro semestre. No trimestre entre março, abril e maio, por exemplo, a probabilidade de neutralidade chega a cerca de 93%.

Porém, a partir de maio, os modelos climáticos indicam uma mudança gradual. Entre junho e agosto, a chance de El Niño já sobe para aproximadamente 62%, superando a neutralidade. Em seguida, entre agosto e outubro, a probabilidade aumenta para cerca de 80%, ultrapassando 82% no final da primavera.

Além disso, medições recentes mostram que o Pacífico Equatorial registra anomalia de temperatura de -0,1 °C na região chamada Niño 3.4, área usada como referência mundial para monitorar o fenômeno. Apesar disso, áreas próximas à costa do Peru e do Equador já apresentam aquecimento de cerca de +0,9 °C, sinalizando um possível El Niño costeiro.

Especialistas alertam que, caso esse aquecimento avance mais rapidamente, o fenômeno pode até se estabelecer entre maio e junho, antes do inicialmente previsto.

Impactos do El Niño no Rio Grande do Sul

Historicamente, episódios de El Niño costumam provocar aumento das chuvas no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Por isso, quando o fenômeno se confirma, cresce também o risco de temporais, volumes elevados de precipitação e cheias de rios.

Com esse cenário, especialistas alertam que o Estado pode enfrentar períodos de chuva acima da média, além de maior frequência de eventos extremos, como tempestades intensas e enchentes. Em anos marcados pelo fenômeno, alagamentos urbanos e transbordamentos de bacias hidrográficas se tornam mais comuns.

Por outro lado, o El Niño também pode trazer efeitos positivos para a agricultura. Como normalmente aumenta a disponibilidade de chuva, o fenômeno tende a reduzir perdas causadas por estiagens prolongadas. Em muitos anos, inclusive, safras agrícolas mais produtivas no Rio Grande do Sul estão associadas à presença do fenômeno.

O que é o fenômeno El Niño

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal e os ventos alísios enfraquecem. Como resultado, essa mudança na interação entre oceano e atmosfera altera o comportamento do clima em diversas partes do planeta.

Consequentemente, o fenômeno pode modificar padrões de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos. No caso do Sul do Brasil, a tendência histórica é de chuvas mais frequentes e volumosas, especialmente durante o inverno e a primavera.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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