O caso Gisele ganhou contornos ainda mais graves após a divulgação de mensagens que mostram o comportamento do principal suspeito antes do crime.
As conversas revelam um padrão que chamou a atenção dos investigadores, e que pode pesar diretamente no andamento do processo.
O conteúdo expõe uma dinâmica dentro do relacionamento que vai além do que havia sido divulgado inicialmente.
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E o que aparece nas mensagens é chocante.
“Sou macho alfa”, escreveu principal o suspeito do caso Gisele
O tenente-coronel preso Geraldo Neto se descrevia como “macho alfa” e afirmava exercer autoridade sobre a esposa.
Em uma das mensagens, ele escreveu:
“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. […] com autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa.”
As conversas fazem parte da investigação que apura a morte da policial militar Gisele.
Caso Gisele revela perfil controlador
Segundo a Polícia Civil, o material indica um comportamento autoritário e controlador do suspeito.
Ele teria imposto regras à esposa, como a forma de se vestir e até como se comportar em público.
“Não cumprimentar homens com beijo no rosto e abraços”, escreveu o suspeito. “Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto” e “Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho.”
Exigências e pressão dentro do casamento
Em outros trechos, o tenente-coronel preso reforça o controle sobre a rotina da esposa:
“Enquanto você estiver casada comigo […] as coisas serão do meu jeito.”
Ele também afirmava que, por ser o “provedor”, esperava receber “carinho, atenção, amor e sexo”.
Investigação aponta feminicídio
O caso Gisele é tratado como feminicídio e fraude processual.
Laudos periciais indicam que a versão inicial de suicídio não se sustenta, e há indícios de manipulação da cena do crime.
A Justiça determinou a prisão preventiva do suspeito, que segue detido em presídio militar.
Caso Gisele segue em apuração
O processo ainda está em andamento e deve seguir para julgamento.
As mensagens agora passam a ser peças-chave para entender o contexto do crime e a relação entre o casal.
Veja na íntegra a nota da defesa:
“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.
Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.
Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.
Informa, por fim, que já ajuizu Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.
Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade.
A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.
Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos.”

