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25 de março de 2026

Guerra no Oriente Médio pode aumentar preço do ovo, frango e carne no Brasil

O preço do ovo, frango e carne pode voltar a subir no Brasil após os impactos provocados pela guerra entre Estados Unidos e Irã. A avaliação é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que alerta para o aumento dos custos logísticos e de insumos em toda a cadeia de produção.

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Segundo a entidade, o conflito internacional já começou a pressionar o setor por causa da alta do diesel, do encarecimento do transporte rodoviário e das dificuldades de circulação de materiais derivados do petróleo. Como resultado, produtos essenciais da mesa do brasileiro, como ovos, carne de frango e carne suína, podem sofrer reajustes nos próximos dias.

Além disso, o cenário preocupa porque o Brasil vinha registrando estabilidade ou até queda em alguns desses alimentos. No entanto, com a nova pressão externa, o consumidor pode sentir rapidamente os reflexos no supermercado.

Por que a guerra pode afetar o preço dos alimentos no Brasil

O principal motivo para a possível alta no preço do ovo, frango e carne está no aumento dos custos de transporte. De acordo com a ABPA, a elevação do diesel já provocou uma alta de até 20% nos fretes rodoviários do setor, afetando desde a entrega de insumos até a distribuição final dos produtos.

Na prática, isso significa que toda a cadeia produtiva fica mais cara. Rações, embalagens, combustíveis, transporte de granjas e frigoríficos e distribuição aos centros de venda passam a exigir mais investimento. Como consequência, a tendência é que parte desse custo seja repassada ao consumidor.

Além disso, outro fator relevante é o impacto sobre as embalagens plásticas. A entidade também alertou para dificuldades no transporte de derivados do petróleo, especialmente em razão da instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Segundo o setor, esses materiais já registram aumento de cerca de 30%.

Portanto, embora o conflito aconteça fora do Brasil, os reflexos econômicos chegam rapidamente ao mercado interno, principalmente em produtos de grande consumo popular.

Ovos, frango e carne vinham em trajetória mais estável

Antes desse novo cenário, o comportamento do preço do ovo, frango e carne mostrava sinais mais favoráveis ao consumidor. Dados recentes do IPCA, citados pela reportagem, apontam que o preço dos ovos recuou 10,8% nos últimos 12 meses. Já a carne suína registrou queda de 1,2% em fevereiro e de 1,62% no acumulado de 12 meses, enquanto o frango teve recuo de 0,29% no mês passado.

Esse cenário de alívio era sustentado, em parte, pelo crescimento da produção nacional. Em 2025, por exemplo, a produção de ovos aumentou 7,9%, passando de 57,7 bilhões para 62,2 bilhões de unidades. Além disso, o consumo também subiu, o que indicava um mercado aquecido, mas equilibrado.

Por isso, a preocupação agora não está necessariamente na falta de produto, mas no custo para manter essa cadeia funcionando com eficiência. Mesmo com oferta equilibrada, o aumento dos gastos operacionais pode mexer diretamente nos preços finais.

Em outras palavras, o Brasil ainda tem capacidade produtiva para abastecer o mercado. O problema, neste momento, é o custo de fazer esses alimentos chegarem até o consumidor.

Repasses ao consumidor podem acontecer nos próximos dias

A própria ABPA admite que, diante do cenário atual, pode haver repasse de preços ao consumidor nos próximos dias. Isso significa que a alta não é apenas uma hipótese distante, mas uma possibilidade concreta caso os custos de transporte, combustíveis e insumos continuem subindo.

Esse movimento costuma ser mais rápido em produtos com alta rotatividade, como ovos e carnes frescas. Como esses alimentos fazem parte da rotina de compra das famílias, qualquer oscilação de custo pode ser percebida com rapidez nas gôndolas.

Além disso, o efeito pode ser ainda mais sensível para famílias de baixa renda, já que ovos e frango costumam ser alternativas mais acessíveis em comparação à carne bovina. Se esses itens também encarecerem, a pressão sobre o orçamento doméstico tende a aumentar.

Dessa forma, o impacto da guerra deixa de ser apenas geopolítico e passa a ter consequência direta na alimentação dos brasileiros.

O que o consumidor deve observar a partir de agora

Nos próximos dias, o consumidor deve acompanhar a evolução do preço do ovo, frango e carne com atenção. Em momentos de instabilidade internacional, os reajustes nem sempre ocorrem de forma uniforme, o que pode gerar diferença de preços entre regiões, redes de supermercado e tipos de produto.

Além disso, promoções pontuais ainda podem aparecer, principalmente em redes atacadistas ou em compras em maior volume. Mesmo assim, se o cenário externo continuar pressionando combustíveis e logística, a tendência é de aumento gradual nos custos de alimentos de origem animal.

Para quem busca economizar, a recomendação é comparar preços, observar marcas, considerar substituições temporárias e acompanhar a movimentação do mercado. Afinal, quando o custo da cadeia sobe, o impacto costuma chegar primeiro aos itens de consumo diário.

Por fim, a situação mostra como crises internacionais podem atingir diretamente a economia doméstica. E, neste caso, a mesa do brasileiro pode ser uma das primeiras a sentir os efeitos.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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