O soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), Giuliano Freitas, tornou-se o primeiro paciente do Estado a receber aplicação de Polilaminina, uma proteína usada em tratamento experimental voltado à regeneração neurológica.
O procedimento foi realizado no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre (HBMPA), na última quinta-feira (19), por uma equipe especializada vinda do Rio de Janeiro.
A substância ainda está em fase de estudos, mas tem chamado atenção pelo potencial de auxiliar na recuperação de pacientes com lesão medular.
O que é a Polilaminina
A Polilaminina é uma proteína investigada por sua capacidade de estimular respostas relacionadas à regeneração neurológica.
Na prática, ela atua como uma espécie de “ponte”, podendo ajudar na reconexão de nervos afetados por lesões.
“Ela ainda não integra protocolos convencionais. Por isso, sua utilização depende de autorização específica”, explicou o tenente-coronel e médico Renan Cabral, que acompanha o caso.
Segundo ele, a aplicação só foi possível após decisão judicial favorável e autorização da Anvisa.
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O acidente que mudou tudo
Giuliano Freitas atuava em Santana do Livramento quando, no dia 31 de dezembro de 2025, foi chamado para atender um incêndio em um mercado.
Durante a ocorrência, um portão acabou explodindo, ferindo seis bombeiros. Giuliano foi o mais atingido.
Ele sofreu múltiplas fraturas, incluindo no pescoço, e ficou inconsciente. Foi transferido de helicóptero para Porto Alegre e só acordou dias depois.
“Foi um choque grande quando eu acordei e já não sentia do peito para baixo”, relembra.
Rotina de superação na reabilitação
Desde janeiro, o militar segue internado e em tratamento intensivo. A rotina inclui sessões diárias de fisioterapia, com duração de até três horas.
Determinado, ele descreve a própria postura diante da recuperação:
“Eu não negocio com a dor. Não termino quando estou cansado ou com dor; eu termino quando acaba.”
Segundo Giuliano, a evolução tem surpreendido. Ele relata que conseguiu realizar movimentos antes do esperado, ainda nas primeiras horas após o procedimento.
Esperança e tratamento experimental
A possibilidade de utilizar a Polilaminina surgiu ainda enquanto o paciente estava inconsciente, por meio de familiares.
Com autorização judicial e aval da Anvisa, o tratamento foi iniciado como uma alternativa promissora.
Apesar de ainda não fazer parte dos protocolos tradicionais, a terapia representa uma nova esperança para pacientes com lesões neurológicas graves.
Enquanto isso, Giuliano segue focado na recuperação, combinando disciplina, esforço e otimismo em uma jornada marcada pela superação.

