Quem foi ao mercado recentemente já percebeu: comprar chocolate nesta Páscoa está bem mais difícil. O tradicional presente virou motivo de preocupação para muitas famílias, principalmente por causa dos preços elevados.
Em 2026, o aumento dos ovos de chocolate chamou atenção em todo o país. Em alguns casos, os valores subiram mais de 30% em comparação com o ano passado, muito acima da inflação oficial.
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Mas o que está por trás dessa alta? A resposta começa bem longe do Brasil.
Ovo de Páscoa caro: entenda o “choque do cacau”
O principal motivo para o aumento está na produção mundial de cacau. Países como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por cerca de 70% da produção global, enfrentaram problemas graves nas lavouras.
Eventos climáticos extremos e doenças afetaram as plantações, reduzindo a oferta do produto no mercado internacional.
Com isso, o preço do cacau disparou e chegou a ultrapassar US$ 12 mil por tonelada em determinados momentos, um nível histórico.
Alta vai muito além da inflação
Mesmo com a inflação oficial (IPCA) acumulando cerca de 3,8%, o aumento dos ovos de Páscoa foi muito maior.
Veja alguns exemplos:
- Lacta Favoritos (540g): de R$ 88 para R$ 120 (+36%)
- Sonho de Valsa (277g): de R$ 45 para R$ 57 (+26%)
- Ovo com brinde (150g): de R$ 72 para R$ 98 (+36%)
Além disso, o formato de ovo costuma ser mais caro que o chocolate em barra, podendo custar até três vezes mais por quilo.
Problema é global
A alta nos preços não é exclusividade do Brasil. Em outros países, o impacto também foi sentido:
- Estados Unidos: aumento de cerca de 15% nos doces sazonais
- Reino Unido: redução do tamanho dos produtos (fenômeno conhecido como “shrinkflation”)
Isso mostra que o problema está ligado ao mercado internacional, e não apenas ao varejo brasileiro.
Como os consumidores estão reagindo
Diante dos preços elevados, muitos brasileiros estão buscando alternativas para economizar:
- Ovos artesanais, que oferecem melhor custo-benefício
- Marcas próprias de supermercados
- Substituição por chocolates em barra
Essas opções têm ganhado espaço, principalmente entre quem não quer abrir mão da tradição, mas precisa gastar menos.
Quando os preços podem cair
A expectativa de especialistas é que os valores só comecem a cair de forma mais significativa no segundo semestre de 2026.
Isso depende da normalização da produção de cacau e da redução dos custos no mercado internacional.

