25.1 C
Canoas
09 de abril de 2026

Mudança na CNH no RS já preocupa autoescolas após 90 dias e sindicato alerta para demissões e riscos no trânsito

As novas regras da CNH no RS completaram 90 dias com impacto direto no setor de autoescolas. Sindicato estima 3,6 mil demissões e aponta risco de formação mais frágil para novos motoristas.

A nova fase da CNH no RS já começa a gerar preocupação entre profissionais do setor. Após 90 dias das mudanças nas regras para tirar a carteira de motorista, representantes de autoescolas dizem que a flexibilização do processo já trouxe impactos no mercado de trabalho e pode afetar a segurança no trânsito.

Desde janeiro, o processo da carteira de motorista no estado passou a permitir aulas teóricas online sem carga horária mínima obrigatória, redução da carga de aulas práticas e, mais recentemente, a atuação de instrutores autônomos. Para parte do setor, as medidas facilitaram o acesso ao documento, mas também abriram espaço para insegurança na formação de novos condutores.

LEIA TAMBÉM:

Mudanças na CNH no RS já afetam empregos no setor

Segundo o Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Sul (SindiCFC/RS), cerca de 3,6 mil profissionais ligados aos CFCs teriam sido desligados desde o início das novas regras. A estimativa representa uma queda de aproximadamente 40% sobre o total de 9,6 mil colaboradores que atuavam antes da mudança.

O presidente do sindicato, Vilnei Pinheiro Sessim, afirma que o novo modelo reduziu a exigência de preparo dos alunos. Para ele, o processo ficou mais simples sem garantir que o futuro motorista tenha base suficiente para dirigir com segurança nas ruas.

De janeiro a março, o DetranRS registrou 85,7 mil inscrições para a primeira habilitação nas categorias A, B e AB. Desde a autorização para instrutores autônomos, em 10 de março, o Estado já soma 229 profissionais cadastrados oficialmente.

Autoescolas apontam risco na formação de novos motoristas

Diretores de autoescolas relatam que o novo formato aumentou a procura por matrícula, mas também trouxe sinais de precarização no ensino. A principal crítica está na falta de controle sobre o curso teórico online, que antes exigia 20 horas mínimas de aulas.

Além disso, houve mudanças nas provas. O exame teórico passou a exigir um acerto mínimo menor e a prova prática deixou de contar com a etapa de baliza. Segundo representantes do setor, isso fez crescer o índice de aprovação, que em alguns casos passou de 25% para 50%.

Para os instrutores, esse cenário pode colocar nas ruas motoristas menos preparados, especialmente em situações de risco e tráfego intenso.

Preocupação com instrutores autônomos e clandestinos

Outro ponto que preocupa o setor é a atuação de instrutores autônomos sem estrutura adequada. Autoescolas afirmam que veículos usados na formação precisam oferecer segurança extra, como o sistema de duplo comando de freios, que ajuda a evitar acidentes durante as aulas.

O sindicato também relata suspeitas de instrutores clandestinos, que estariam orientando parentes ou conhecidos sem autorização. O DetranRS reforçou que essa prática é proibida e coloca em risco tanto o aluno quanto outras pessoas no trânsito.

O órgão lembra que aprendizes só podem dirigir com Licença de Aprendizagem válida e acompanhados por instrutor autorizado, que também responde por eventuais danos ou infrações durante a aula.

Quem pode atuar como instrutor autônomo no RS

Para dar aulas de forma regular no Estado, o profissional precisa cumprir exigências como:

  • CNH válida e compatível com a categoria ensinada;
  • não estar com o documento suspenso ou cassado;
  • ensino médio completo;
  • curso de Instrutor de Trânsito reconhecido;
  • autorização oficial do DetranRS;
  • apresentação de certidões e documentos obrigatórios.

O Detran orienta que os candidatos consultem apenas profissionais cadastrados na lista oficial do órgão.

Renovação automática da CNH já gerou economia no Estado

Enquanto as mudanças na formação geram debate, outra medida vem sendo bem recebida por motoristas. A renovação automática da carteira já beneficiou mais de 106,6 mil condutores gaúchos entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Segundo dados da Secretaria de Comunicação da Presidência, a medida gerou economia de R$ 93,87 milhões para motoristas do Estado. O benefício vale para quem não cometeu infrações com pontuação nos últimos 12 meses e atende aos demais critérios da MP do Bom Condutor.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS