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10 de abril de 2026

Jovens abandonam igrejas, mas mantêm a fé, aponta estudo

O fenômeno em que jovens abandonam igrejas revela uma transformação na forma de viver a fé, cada vez mais individual e menos institucional

O número de brasileiros em que jovens abandonam igrejas vem crescendo nos últimos anos, especialmente entre adolescentes. Apesar do afastamento das instituições religiosas, muitos continuam acreditando em Deus e mantendo práticas espirituais. A mudança indica uma nova forma de se relacionar com a fé, mais pessoal e menos ligada a templos ou lideranças.

Como o fenômeno foi identificado

Um levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), mostra que a parcela de adolescentes sem religião cresceu de forma significativa na última década. Em 2012, 14,3% dos jovens entre 14 e 17 anos se declaravam sem religião. Em 2023, esse número chegou a 20,3%, um aumento de 41,9%.

O dado revela uma mudança consistente no comportamento religioso das novas gerações, mais acentuada do que no restante da população.

Fé continua, mas de outra forma

Apesar do crescimento entre os que se declaram sem religião, isso não significa ausência de fé. O que se observa é que muitos jovens continuam acreditando em Deus ou em princípios espirituais, mas optam por viver essa experiência fora das instituições tradicionais.

Nesse contexto, jovens abandonam igrejas, mas não necessariamente a espiritualidade. A fé passa a ser encarada como algo mais íntimo, subjetivo e independente.

O avanço dos “desigrejados”

Esse movimento também explica o crescimento dos chamados “desigrejados”. São pessoas que deixam de frequentar igrejas, mas mantêm práticas religiosas no dia a dia, como orações e leituras espirituais.

A diferença está no formato: em vez de cultos ou missas, a vivência da fé ocorre de maneira mais livre, muitas vezes em casa ou em pequenos grupos, sem vínculo institucional.

Redes sociais e novas formas de pertencimento

As redes sociais têm papel relevante nessa transformação. Elas permitem que jovens compartilhem experiências, encontrem comunidades e tenham acesso a diferentes visões sobre fé e religião.

Ao mesmo tempo, esses espaços também ampliam críticas às instituições religiosas, o que contribui para o distanciamento. Assim, mesmo quando jovens abandonam igrejas, eles continuam conectados a debates e conteúdos sobre espiritualidade.

Motivos para o afastamento

O afastamento das igrejas está ligado a uma série de fatores. Muitos jovens relatam frustração com lideranças religiosas, principalmente diante de escândalos, incoerências e conflitos entre discurso e prática.

A politização da fé também aparece como um elemento de rejeição. Além disso, estruturas rígidas e exigências institucionais são vistas por parte dos jovens como distantes de uma experiência espiritual mais autêntica.

Um novo cenário religioso no Brasil

Mesmo com essas mudanças, o Brasil segue sendo um país majoritariamente religioso. No entanto, a forma como a fé é vivida está em transformação.

A transmissão religiosa entre gerações já não ocorre da mesma maneira, e a religião deixou de ser uma herança automática para se tornar uma escolha individual. O resultado é um cenário mais plural, com trajetórias espirituais diversas.

Nesse novo contexto, jovens abandonam igrejas, mas continuam buscando sentido, pertencimento e conexão espiritual.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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