O avanço de um fenômeno extremo do outro lado do planeta acendeu um alerta importante para o clima no Sul do Brasil.
A combinação entre El Niño, clima no RS e supertufão pode antecipar mudanças significativas no tempo, com aumento das chuvas já nos próximos meses.
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Por que o El Niño pode chegar antes
O supertufão Sinlaku, que se formou no Pacífico com ventos de até 280 km/h, não afeta diretamente o Brasil, mas indica algo mais preocupante: o oceano está mais quente do que o normal.
Esse calor acumulado pode acelerar o processo de formação do El Niño.
“O supertufão, combinado à posição de outros sistemas atmosféricos, pode atuar como gatilho para manter condições favoráveis ao desenvolvimento do El Niño. Quando ventos de oeste anulam o efeito dos alísios, o deslocamento das águas mais quentes é facilitado”, explica o meteorologista Murilo Lopes, da UFSM, em entrevista à GZH.
Impactos no clima no RS já podem começar
Mesmo antes da consolidação do fenômeno, os efeitos já começam a aparecer no Estado.
Segundo especialistas, o Rio Grande do Sul deve registrar:
- aumento da frequência de chuvas
- maior passagem de frentes frias
- risco de cheias em rios
“Nós estamos agora num cenário em que, provavelmente, esse El Niño começa ainda neste outono” afirma Lopes, à GZH.
Relação com o supertufão
O supertufão funciona como um “empurrão” no sistema climático.
Ele ajuda a deslocar águas quentes do Pacífico Oeste em direção à faixa equatorial, condição essencial para a formação do El Niño.
“O supertufão é um sintoma dessas águas bastante quentes próximas à Indonésia e também contribui para favorecer esse transporte de calor para o Pacífico Central, acelerando o processo” reforça o especialista, à GZH.
Existe risco de um Super El Niño?
Modelos climáticos já apontam a possibilidade de um evento mais intenso entre 2026 e 2027.
Isso acontece quando o aquecimento do oceano ultrapassa 2°C acima da média, cenário conhecido como “Super El Niño”.
Mesmo assim, especialistas pedem cautela.
“É uma projeção deles. É preciso avançar com cautela antes de afirmar com precisão”, destacou o climatologista Glauco Freitas, à GZH.
O que esperar para os próximos meses
A tendência é de uma transição rápida após o período de La Niña.
Para o Rio Grande do Sul, isso significa:
- mais chuva já no outono
- aumento do risco de cheias
- inverno com menos frio intenso e mais instabilidade
“Estamos prevendo, para o próximo mês de maio, a frequência de frentes frias provocando chuvas no Rio Grande do Sul que podem ocasionar cheias” alerta Lopes.

