25.4 C
Canoas
16 de abril de 2026

Supertufão na Indonésia pode ter causado uma antecipação de El Niño mais forte em mais de 100 anos no RS; entenda o que dizem meteorologistas e o que esperar para os próximos meses

El Niño pode chegar antes e mudar o clima no RS. Veja o impacto do supertufão.

O avanço de um fenômeno extremo do outro lado do planeta acendeu um alerta importante para o clima no Sul do Brasil.

A combinação entre El Niño, clima no RS e supertufão pode antecipar mudanças significativas no tempo, com aumento das chuvas já nos próximos meses.

LEIA TAMBÉM:

Por que o El Niño pode chegar antes

O supertufão Sinlaku, que se formou no Pacífico com ventos de até 280 km/h, não afeta diretamente o Brasil, mas indica algo mais preocupante: o oceano está mais quente do que o normal.

Esse calor acumulado pode acelerar o processo de formação do El Niño.

“O supertufão, combinado à posição de outros sistemas atmosféricos, pode atuar como gatilho para manter condições favoráveis ao desenvolvimento do El Niño. Quando ventos de oeste anulam o efeito dos alísios, o deslocamento das águas mais quentes é facilitado”, explica o meteorologista Murilo Lopes, da UFSM, em entrevista à GZH.

Impactos no clima no RS já podem começar

Mesmo antes da consolidação do fenômeno, os efeitos já começam a aparecer no Estado.

Segundo especialistas, o Rio Grande do Sul deve registrar:

  • aumento da frequência de chuvas
  • maior passagem de frentes frias
  • risco de cheias em rios

“Nós estamos agora num cenário em que, provavelmente, esse El Niño começa ainda neste outono” afirma Lopes, à GZH.

Relação com o supertufão

O supertufão funciona como um “empurrão” no sistema climático.

Ele ajuda a deslocar águas quentes do Pacífico Oeste em direção à faixa equatorial, condição essencial para a formação do El Niño.

“O supertufão é um sintoma dessas águas bastante quentes próximas à Indonésia e também contribui para favorecer esse transporte de calor para o Pacífico Central, acelerando o processo” reforça o especialista, à GZH.

Existe risco de um Super El Niño?

Modelos climáticos já apontam a possibilidade de um evento mais intenso entre 2026 e 2027.

Isso acontece quando o aquecimento do oceano ultrapassa 2°C acima da média, cenário conhecido como “Super El Niño”.

Mesmo assim, especialistas pedem cautela.

“É uma projeção deles. É preciso avançar com cautela antes de afirmar com precisão”, destacou o climatologista Glauco Freitas, à GZH.

O que esperar para os próximos meses

A tendência é de uma transição rápida após o período de La Niña.

Para o Rio Grande do Sul, isso significa:

  • mais chuva já no outono
  • aumento do risco de cheias
  • inverno com menos frio intenso e mais instabilidade

“Estamos prevendo, para o próximo mês de maio, a frequência de frentes frias provocando chuvas no Rio Grande do Sul que podem ocasionar cheias” alerta Lopes.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS