Uma nota técnica divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul confirmou a possibilidade de formação do El Niño em 2026. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode provocar chuvas acima da média durante a primavera no Estado, além de aumentar o risco de tempestades severas e eventos extremos no Sul do Brasil.
O que aponta a previsão climática
As projeções apresentadas pelo comitê indicam cerca de 80% de chance de formação do El Niño entre julho e agosto de 2026. A probabilidade pode chegar entre 80% e 90% ao longo do segundo semestre do ano.
Os dados utilizados no estudo são baseados em análises de instituições internacionais, como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Segundo a nota técnica, o cenário climático para o Rio Grande do Sul inclui temperaturas acima da média durante o inverno e aumento das chuvas na primavera.
O que o fenômeno pode provocar no RS
O documento alerta que o El Niño em 2026 pode ampliar a frequência de eventos climáticos extremos no Estado.
Entre os efeitos previstos estão mais dias de chuva intensa, temporais severos, episódios de granizo e aumento dos volumes de precipitação.
O fenômeno preocupa especialmente após os impactos registrados no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024, quando enchentes e desastres climáticos atingiram diversas cidades gaúchas.
Apesar disso, os especialistas ressaltam que ainda é cedo para determinar a intensidade exata das chuvas previstas para o próximo ano.
O que é o El Niño
O El Niño faz parte do fenômeno climático chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e ocorre devido ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e interfere nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região. Enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos de seca, a Região Sul costuma registrar aumento significativo das chuvas durante episódios de El Niño.
O fenômeno oposto é a La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas do Pacífico e normalmente associada a períodos de estiagem no Sul do país.
O que dizem os especialistas e autoridades
O comitê científico destaca que a ocorrência do El Niño não significa, automaticamente, a repetição de tragédias climáticas.
Segundo os pesquisadores, desastres dependem também de fatores como vulnerabilidade das regiões, infraestrutura urbana e capacidade de resposta das autoridades.
Mesmo assim, o documento recomenda que órgãos públicos, Defesa Civil e setores produtivos revisem planos de contingência e estratégias de preparação para eventos extremos.
A nota também reforça a necessidade de comunicação clara com a população sobre riscos climáticos e medidas preventivas.
Quem participou da elaboração do estudo
A nota técnica foi produzida por pesquisadores ligados a diferentes instituições científicas e meteorológicas do país.
Participaram do documento especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

